São Paulo, domingo, 22 de maio de 2005

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GOVERNO SOB PRESSÃO

Ex-presidente critica governo e apelida Fome Zero de "eficiência zero"

"País está sem rumo e governo parece um peru bêbado", diz FHC

FLÁVIA MARREIRO
DA REPORTAGEM LOCAL

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou ontem que o país está sem rumo e que o governo petista mais parece "um peru bêbado" no período de festas. O discurso duro e cheio de metáforas encerrou o 8 Encontro Estadual do PSDB, no Anhembi, em São Paulo.
Ao fazer referência à crise política enfrentada pelo governo, Fernando Henrique disse: "Estamos num momento em que todos se olham e se perguntam: qual é o rumo? Eu quero saber, o cidadão brasileiro quer saber. E eles [o governo Lula], derrotados, ficam nesse alvoroço de peru bêbado em dia de pré-Natal".
O ex-presidente, ao lado do governador paulista Geraldo Alckmin e várias lideranças do PSDB, discursava a cerca de 3.000 militantes tucanos. "Nós estamos aqui para gritar, para pedir rumo e para dizer. Se vocês [do PT] não são capazes de dá-lo, nós sabemos", disse.
Antes, FHC havia criticado o encontro da executiva petista,que também ocorre neste fim de semana em São Paulo. "Eles não estão discutindo proposta como nós, estão lá para brigar e abafar, abafar o que a rua já sabe".

Crise institucional
O tucano atenuou uma declaração recente sobre "crise institucional" vivida pelo país.
"Eu não penso isso, no curto prazo". Mas ressaltou que, com a "sertanização" de Brasília "pode atingir a democracia".
FHC puxou aplausos ao dizer que o Fome Zero virou "eficiência zero". Disse que o PSDB "nunca foi um partido pretensioso".
"Às vezes nós podemos errar, mas temos de ouvir, antes de cacarejar. Essa gente cacareja sem parar e eu não estou vendo nenhum ovo", atacou.
Disse que o partido não tem solução para juros altos, mas que pregará a bandeira de cortar impostos. "Nós não sabemos talvez ainda agora o que fazer com os juros altos, mas já sabemos o que fazer em São Paulo: cortar imposto, que o povo não quer mais imposto."

"Geraldo Presidente"
Antes de FHC, Alckmin fez discurso de candidato à militância. Quando chegou, foi ovacionado com gritos de "Brasil Urgente, Geraldo Presidente". "O que nos une é a esperança. É tempo de trabalho, é tempo de competência", afirmou o governador.
O encontro tucano foi o primeiro ato concreto do PSDB estadual para a pré-candidatura de Alckmin. Durante todo o dia, deputados o mencionavam como "candidato natural", faixas e adesivos aclamavam a candidatura.
Faixas e camisetas produzidas pela "Juventude do PSDB exibiam: "O Brasil precisa de um gerente, Alckmin presidente".
Nem FHC nem o prefeito José Serra, que também discursou, porém, apoiaram publicamente a candidatura do governador. O prefeito voltou a descartar concorrer a cargos no ano que vem, mas não mencionou o nome do governador: "Em 2006 estarei administrando a cidade, mas ajudarei no que for preciso".
Já FHC, no discurso, disse haver pelo menos cinco nomes presidenciáveis no partido. Na saída, questionado se apoiava Alckmin, o ex-presidente foi sucinto: "Apoio o candidato do PSDB".


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