São Paulo, segunda-feira, 30 de abril de 2007

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Sem-terra invadem fazenda do presidente da UDR no Pontal

Em menos de duas semanas, essa foi a 4 invasão de propriedade na região; o ruralista Nabhan Garcia diz que fazenda é produtiva e que ato é provocação

CRISTIANO MACHADO
COLABORAÇÃO PARA A AGÊNCIA FOLHA, EM SANDOVALINA (SP)

Integrantes do MST invadiram na madrugada de ontem a fazenda Ipezal, em Sandovalina, no Pontal do Paranapanema (SP). A área pertence ao presidente da UDR (União Democrática Ruralista), Luiz Antônio Nabhan Garcia, 46, que diz que a propriedade é "altamente produtiva". O ruralista classificou o ato de "ação política" e "pura provocação". Segundo a Polícia Militar, cerca de 150 pessoas entraram na fazenda por volta das 6h30.
Líderes do MST e Rafael Nabhan Garcia, irmão do presidente da UDR e administrador da fazenda, trocaram acusações sobre eventuais disparos de armas de fogo durante a invasão.
Os sem-terra alegaram que foram recebidos a tiros por funcionários da propriedade durante a invasão. Já o administrador da área registrou boletim de ocorrência acusando os sem-terra de terem atirado. Segundo a PM, ninguém ficou ferido e nenhuma arma foi apreendida no local. Um inquérito policial será aberto.
"Essa ação simboliza a luta contra o agronegócio e é uma forma de denunciar e cobrar das autoridades do Estado soluções para o problema das terras devolutas do Pontal, como essa que ocupamos", disse Maria Aparecida Gonçalves, da direção regional do MST.
Em menos de duas semanas, foi a quarta invasão de fazenda no Pontal realizada pelos mesmos membros do MST. Além disso, neste mês o MST invadiu escritórios do Incra e do Itesp (Instituto de Terras do Estado de São Paulo) e quatro agências de bancos federais na região.
O advogado da UDR, Joaquim Botti Campos, esteve ontem no local e registrou boletim de ocorrência. Ele afirmou que pedirá hoje a reintegração de posse da área à Justiça.
Luiz Antônio Nabhan Garcia declarou que esta foi a terceira invasão na área. Segundo ele, a propriedade tem 366 hectares e é destinada à pecuária de corte. "Temos 500 cabeças de gado lá. A propriedade é altamente produtiva e particular. Isso que fizeram é ação política, pura provocação." Nabhan disse achar que o governo federal é "conivente com atos do MST".


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