São Paulo, domingo, 02 de julho de 2006

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Detento contrata prostituta pelo celular

Antes dos programas, os presos recebem as fotos das garotas no telefone; depois, pagam R$ 200 por dois dias de sexo

Escutas telefônicas provam a existência de um esquema no qual líderes da facção escolhem o tipo físico das mulheres que os "visitarão"


ANDRÉ CARAMANTE
DA REPORTAGEM LOCAL

A facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) descobriu uma nova maneira de utilizar os telefones celulares nas prisões do Estado para fazer negócios: além de articular rebeliões em série e ordenar a morte de agentes das forças de segurança, hoje, os integrantes do grupo criminoso também contratam prostitutas.
A inovação não pára por aí: além de combinar preços e quais detentos terão direito de receber esses serviços, os homens do PCC criaram um esquema que, com o auxílio de aparelhos celulares que enviam e recebem fotos, permite escolher o tipo físico da mulher que desejam receber dentro de sua cela na penitenciária.
Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça obtidas pela Folha, feitas na região oeste do Estado, onde existem 35 presídios (com 32 mil detentos), comprovam que uma mulher identificada como Jaqueline, que também é mãe-de-santo e cartomante, é uma das responsáveis por agenciar garotas de programa para os líderes do PCC que estão presos na região.
Nas conversas mantidas entre Jaqueline e um preso identificado como Moringa, um dos "sintonias" (responsável pela retransmissão de ordens da cúpula da facção criminosa para outros detentos e até para membros do grupo soltos) do PCC no interior do Estado, eles combinam a contratação, por R$ 200, de uma prostituta identificada como Sabrina. Por lei, o preso tem direito de fazer sexo com sua mulher ou amásia, diante de comprovação.
Quando trata do agenciamento das prostitutas para os homens do PCC, sempre pelo celular, Jaqueline também frisa que eles terão de arcar com as despesas de transporte e hospedagem das mulheres.
Na época do agenciamento para a prostituição, Moringa, cujo primeiro nome é Anderson, estava preso na penitenciária de Getulina (462 km de SP). Hoje, ele está em Presidente Venceslau 2 (620 km de SP), ao lado de outras 400 lideranças do grupo criminoso.
Moringa, de acordo com a advogada Valéria Dammous -detida na última quarta-feira e que teria recebido R$ 20 mil da facção-, deu a ordem para que cinco funcionários do presídio de Presidente Venceslau fossem assassinados.
Na conversa em que Jaqueline agencia a mulher para Moringa, ele demonstra interesse na garota de programa Sabrina e diz que "não tem muito tempo a perder" e, por isso, "não quer muita conversa com ela".
Nos grampos telefônicos, Jaqueline demonstra também preocupação com o bem-estar de um parceiro de Moringa, o detento DKD, que também estava na unidade de Getulina. Ela pede que ele não comente com o amigo que Sabrina irá "visitá-lo", pois, dias antes, a cartomante jogou cartas para uma mulher, namorada de DKD, e percebeu que essa não merecia ser traída. O jogo de cartas foi acompanhado pelo detento pelo telefone celular.
A Secretaria da Administração Penitenciária do governo Cláudio Lembo (PFL) disse apenas que "o preso tem direito a um rol de visitas com oito pessoas, composto por parentes de 1 e 2 graus e amásia com vínculo comprovado".


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