São Paulo, sexta-feira, 02 de setembro de 2005

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"Queremos mostrar o trabalho organizado"

DA REDAÇÃO

"Na verdade, nós somos empreendedores", explica Carlos Antônio dos Reis, 37, o Carlão, membro da equipe de articulação do movimento nacional dos catadores. Ele era camelô seis anos atrás e estudou até a 3 série.
Carlão faz parte do Recicla Vida, uma cooperativa de catadores com 70 participantes. Na sede, na Baixada do Glicério, eles fazem a triagem, a prensagem e a venda dos materiais reciclados, em sua grande maioria coletados em locais fixos por acordo com o produtor do lixo. Das 16h às 19h, saem com as carrocinhas para buscar o material. São oito a dez horas de trabalho diário, fora a hora e meia para chegar do Itaim Paulista ao Glicério.

Números
"O catador está sendo focado pela sociedade como um sujeito que suja. Queremos a possibilidade de mostrar o trabalho organizado do catador", diz Carlão.
Ele defende as cooperativas criadas "sem nenhum recurso público" e não abre mão da circulação de carrocinhas no centro expandido. As cooperativas têm parceiros fixos, condomínios e empresas que produzem os recicláveis, sabem como vender e fogem dos atravessadores que obtêm os melhores preços vendendo diretamente à indústria.
Também aberto ao diálogo, põe o dedo na ferida do projeto municipal: quantos catadores ficarão sem trabalhar?
À falta de número melhor, Carlão estima em 5.000 os catadores no centro e em 20 mil o total na cidade. Elisabeth Grimberg, do Instituto Pólis e coordenadora geral do Fórum Lixo e Cidadania da Cidade de São Paulo, revisando a estimativa, chegou a 10,8 mil.
Ela considerou 700 catadores trabalhando nas centrais de triagem da prefeitura, e 2.300 em cooperativas. Os outros são estimados com base na redução de lixo coletado em São Paulo entre 2001 e 2004, 39 mil toneladas por mês, excluindo o volume de lixo levado às centrais de triagem.
O movimento dos catadores considera que um catador recolhe 200 kg por dia, ou 5.000 toneladas por mês. Dividindo o total de redução pelo total coletado por catador (39 mil/5.000), chega-se a 7.800 catadores avulsos. Com os 3.000 organizados, são 10,8 mil.
Os 20 mil estão errados? Não, resultam apenas do uso de outros parâmetros. "Um avanço", avalia Grimberg, que reforça a necessidade de melhorar a contagem muito mais -daí a cobrança no documento dos catadores. Enquanto isso, esperam que as políticas públicas municipais cheguem à mesa de discussão.


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