São Paulo, sexta-feira, 10 de agosto de 2007

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Previsão é alterada e buraco do Metrô interdita rua até 3

Consórcio que realiza a obra havia afirmado inicialmente que bloqueio na rua dos Pinheiros duraria apenas 48 horas

Engenheiro do consórcio disse que solo no local é "podre", por ser composto "praticamente de areia pura" e ter muitas galerias

FÁBIO TAKAHASHI
DA REPORTAGEM LOCAL

WILLIAN VIEIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Diferentemente da previsão inicial do consórcio responsável pelas obras da linha 4-amarela do metrô de São Paulo, parte da rua dos Pinheiros (zona oeste) ficará interditada até a próxima terça-feira, devido ao surgimento anteontem de um buraco no local.
No dia do acidente, a previsão era que a interdição -feita entre as ruas Mateus Grou e Mourato Coelho- durasse dois dias. Na manhã de ontem, a estimativa subiu para dez dias. Depois, caiu para cinco.
O buraco tinha 1,5 metro de diâmetro no seu topo, três metros na base e dois de profundidade. Ele foi tapado ontem com cimento. Não houve feridos no acidente, mas ao menos uma casa foi afetada.
Segundo o consórcio, o prazo para liberação subiu de dois para cinco dias para que haja "melhor estabilidade ao solo". Engenheiro da Via Amarela, Carlos Henrique Maia chegou a afirmar que o terreno no local "é podre", por ser composto "praticamente de areia pura" e haver muitas galerias, redes de esgoto e ondulações.
A Via Amarela é composta por algumas das maiores empreiteiras do país -OAS, CBPO (ligada à Odebrecht), Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez. A linha 4 está orçada em R$ 2,1 bilhões.
O consórcio, a Defesa Civil e a Subprefeitura de Pinheiros afirmaram que não foi necessário interditar nenhum imóvel. As mudanças de posição do consórcio começaram na terça, quando a rua havia sido fechada devido a um pequeno afundamento da rua. No dia seguinte, a via foi liberada às 14h, após obras preventivas. Às 16h45, porém, o asfalto cedeu.
A CET afirmou que a rua voltou a ser interditada às 15h50 -antes de o asfalto ceder. Testemunhas dizem, porém, que ainda havia tráfego no local quando o buraco começou a surgir. Os pedidos de interdição e liberação da rua são feitos pelo consórcio -que não quis informar qual é a pessoa responsável pela decisão.
Tanto o consórcio quanto o Metrô (responsável pela fiscalização da obra) negam que tenha havido falha. As instituições afirmam que foram tomadas todas as medidas de segurança e que é praticamente impossível evitar um acidente como esse, principalmente devido ao solo instável na região. Questionado se foi precipitada a liberação da rua, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), disse: "Isso, o Metrô pode dar melhores explicações.
A avaliação é que é um problema superado, mas a diretoria do Metrô está tratando diretamente do assunto". Sobre o buraco, disse: "Não. Nada é normal. Não considero normal".
Segundo o consórcio, o buraco surgiu quando a máquina que perfura os túneis da linha (chamada de shield ou "tatuzão") encontrou um bolsão de ar no solo. Como o material daquele local é considerado instável (formado por areia, argila e silte), o terreno cedeu, abrindo o buraco na superfície.
O diretor de contratos da Via Amarela, Marcio Pellegrini, afirmou ontem que o consórcio foi "pego de surpresa", referindo-se aos ocos no solo, apesar de terem sido feitas prospecções [buscas por bolhas de ar]. Pellerini disse que "às vezes dá, às vezes não dá" para evitar esse deslocamento de terra.
Ontem, uma comissão com representantes do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), Ministério Público Estadual e Delegacia Regional do Trabalho visitaram o local.


Colaboraram AFRA BALAZINA, da Reportagem Local, e o "Agora"


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