São Paulo, domingo, 18 de junho de 2006

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Parada Gay resiste à Copa e supera recorde de público

Segundo a PM, 2 milhões de pessoas participaram da festa, 200 mil a mais do que no ano passado

Público festejou com beijos o evento, cujo tema foi "homofobia é crime'; verde-e-amarelo também dominou nos trios elétricos

DANIELA TÓFOLI
DA REPORTAGEM LOCAL

Nada melhor do que beijos, muitos beijos, para comemorar o recorde de público nos dez anos da Parada Gay e levantar a bandeira de que a homofobia é um crime que precisa de punição. Em clima de festa, cerca de 2 milhões de pessoas, segundo estimativa da PM, lotaram a avenida Paulista e a rua da Consolação ontem, atrás de 20 trios elétricos com muito tecno.
O público bateu o recorde do ano passado (de 1,8 milhão de pessoas, de acordo com a PM) e, assim, a parada de São Paulo continua sendo a maior do mundo, seguida pela de Toronto e de São Francisco, com um milhão cada. Ao contrário do que previam os próprios organizadores, nem a mudança do evento de domingo para sábado por causa da Copa atrapalhou.
"A chuva também não apareceu, como dizia a previsão do tempo. A gente fez mandinga para São Pedro", dizia um dos organizadores. O presidente da Associação da parada, Nélson Matias Pereira, comemorava o público. "Estou feliz porque nada atrapalhou a festa."
Não faltou gente nem beijo. Atendendo ao pedido de Pereira, que ao abrir a parada, às 14h10 gritou para multidão passar a tarde se beijando, os casais não perderam tempo. Paulo Ramos, 21, fazia sua contabilidade ainda no meio da festa: "Já beijei oito. Te muito homem bonito por aqui".
Jéferson Miranda, 26, comemorava o fato de ter beijado apenas um. De mãos dadas com Cléber Bonaci, 25, ele dizia que conseguiu reatar o namoro de dois anos após três meses de separação. "A gente se ama e estou tão feliz agora que mal consigo explicar. Nunca tive uma parada tão boa. Um beijo de quem a gente gosta vale muito mais do que a pegação."
Também curtindo o evento, o casal Manoela Vicente, 16, e Marcelo Góes, 18, se beijava. Simpatizantes da parada, era a segunda vez que a acompanhavam juntos. "O pessoal é muito alegre. A gente sente o amor no ar porque os gays são mais carinhosos", dizia a garota. Marcelo contava que teve de passar o Dia dos Namorados longe porque estuda no interior. "A gente está festejando hoje [ontem]."
Além dos beijos, muito verde-e-amarelo. Nas camisetas e em vários trios elétricos, as cores da seleção dominaram. O 16 carro passou com bandeiras do Brasil penduradas, arrancando palmas e gritos da multidão. O mais animado, no entanto, foi o 13, que trazia Alexandre Frota e Supla à frente.
O prefeito Gilberto Kassab (PFL) também foi ao evento que não poderá mais ser realizado na Paulista. Ele disse que em 90 dias entregará três sugestões de local para os organizadores da parada.


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