São Paulo, segunda-feira, 19 de fevereiro de 2001

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O PODER DO CRIME

PCC lidera 27 mil presos em 19 cidades de SP na maior rebelião da história do país

Evelson de Freitas/Folha Imagem
Presos rebelados na Casa de Detenção, no complexo do Carandiru, de onde 9 líderes do PCC foram transferidos na sexta-feira


Motim mostra força da facção no sistema prisional do Estado

Motins deixaram pelo menos 8 mortos e 22 feridos na capital

DA REPORTAGEM LOCAL

DAS REGIONAIS
DA AGÊNCIA FOLHA

Uma rebelião simultânea em 24 presídios de São Paulo deixou ontem pelo menos 8 mortos e 22 feridos. Cerca de 27 mil presos -quase a metade dos 60 mil condenados que cumprem pena no Estado- começaram a dominar, por volta das 12h, penitenciárias em 19 cidades. Foi a maior rebelião na história do país.
Por trás do motim estão integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital), facção do sistema prisional paulista ligada à corrupção de funcionários, tráfico de drogas, assassinatos e extorsões de presos, além do planejamento de assaltos milionários e de resgates de presos.
Eles exigiam o retorno de nove supostos líderes para a Casa de Detenção e a Penitenciária do Estado, no complexo do Carandiru, zona norte de São Paulo, transferidos para unidades do interior.
Na última sexta, a tropa de choque da Polícia Militar ocupou os pavilhões 8 e 9, após seis mortes atribuídas ao PCC, e os ""cabeças" do grupo foram retirados dali sem que houvesse possibilidade de reação dos demais.
O motim estourou primeiro em seis penitenciárias, a maioria na capital. Os 7.200 presos da Casa de Detenção e 2.500 da Penitenciária do Estado, ambos no Carandiru, assumiram o controle dos pavilhões e mantiveram funcionários e familiares de detentos reféns.
Em série, outros presídios foram estourando a partir disso. A revolta surpreendeu o governo do Estado, que mantinha a PM de prontidão por causa das transferências. ""Nunca tínhamos tido rebelião em dia de visitas. Eles não respeitaram as visitas", disse o secretário Nagashi Furukawa, da Administração Penitenciária.
Às 16h, Furukawa e o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Marco Vinicio Petrelluzzi, abandonaram as negociações. O retorno dos detentos ao Carandiru era inegociável, disseram os dois no começo da noite.
Cerca de 2.000 homens da tropa de choque, que cercavam os presídios amotinados, receberam ordem para invadir. ""Sabemos que houve vários confrontos, mas ainda não tivemos como fechar o número total de feridos e mortos", disse Petrelluzzi.
No começo da madrugada de ontem, estouraram mais duas rebeliões, em delegacias da capital paulista: 20 DP (Água Fria) e 38 DP (Vila Amália).

Mortes
No final da noite, a Secretaria da Segurança Pública confirmou as mortes de dois presos no CDP (Centro de Detenção Provisória) do Belém, zona leste de São Paulo, de outras três pessoas no Carandiru e de mais três em Guarulhos (na região metropolitana).
Até o fechamento desta edição, a PM não sabia informar se as vítimas eram presos ou reféns. A situação já estava controlada em 11 das 24 penitenciárias.
Já havia acabado no Centro de Detenção Provisória do Belém e na Penitenciária Feminina, ambos na capital, e nas penitenciárias de São Vicente, Presidente Venceslau, Mirandópolis, Campinas, Avaré, Sorocaba, Hortolândia, Iperó e Assis.
Na Casa de Detenção e na Penitenciária do Estado a rebelião continuava. Em Araraquara e Tremembé, as negociações foram interrompidas às 22h e devem ser retomadas hoje de manhã.
Nas três unidades prisionais de Ribeirão Preto -Vila Branca, unidade 2 e penitenciária- as rebeliões também continuavam e as negociações não haviam sido interrompidas até o fechamento desta edição.


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