São Paulo, domingo, 29 de março de 2009

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Hospitais usam hoteleiros para refinar o atendimento

Tratamento cinco estrelas também é adotado em shoppings e condomínios

Serviços oferecidos vão da reserva de helicópteros para clientes de shoppings até a compra de xampu importado para pacientes de hospitais

Lalo de Almeida/Folha Imagem
Responsáveis pelo 'concièrge' do shopping Iguatemi em SP


VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO
DA REPORTAGEM LOCAL

A coordenadora da governança do hospital Albert Einstein, Bárbara de Almeida Stocco, a responsável pelo "concièrge" do shopping Iguatemi, Carina Martins, e Camilla Pereira Barretto, gerente-geral do grupo St. Marché, dono do Empório Santa Maria, têm em comum a experiência profissional: todas fizeram carreira em hotéis cinco estrelas.
Nos últimos três anos, hoteleiros com expertise em sofisticação têm se beneficiado de uma novidade: passaram a ser contratados -e muito bem pagos- para reproduzir a rotina de luxo nos demais segmentos de prestação de serviço.
De condomínios residenciais a supermercados, de hospitais a shopping centers, eles são encarregados de levar regalias improváveis a clientes e pacientes como se fossem hóspedes.
Basicamente, a explicação é uma só: com a expansão do mercado de luxo nos últimos anos, a exigência por qualidade e mordomias cresceu.
Nos hospitais como o Sírio-Libanês e o Albert Einstein, a nomenclatura e os serviços de hotéis foram adotados. A internação é o check-in, a alta é o check-out, a arrumação dos leitos é feita pelas camareiras, que são coordenadas pela governança, que trabalham em conjunto com a hospitalidade.
"Meu trabalho, como hoteleira, é minimizar a sensação de mal-estar de quem fica internado e fazer que o paciente não se sinta um doente", diz Iramaia Nunes, supervisora de hospedagem do Sírio-Libanês.
Na equipe do Einstein já há 40 graduados ou técnicos em hotelaria, que representam 15% da gerência de serviços do hospital, todos prontos para atender aos mimos mais inusitados dos pacientes.
"Tive de sair às 2h para comprar um xampu importado para uma paciente que havia dois dias não lavava o cabelo porque não queria usar o que oferecemos", diz a líder de governança Patrícia Prioto, que veio do Castro's Park, um hotel cinco estrelas de Goiânia.
No dia a dia, ela vigia obsessivamente a limpeza para encontrar poeira, estica os lençóis à exaustão, como num quarto de hotel, e cuida para que nada esteja fora do lugar após a faxina.
Trabalho parecido com o da chefe do "concièrge" do shopping Iguatemi, Carina Martins, que também dá pitaco na maquiagem e no tamanho dos brincos das funcionárias e de quem pode usar anéis ou não.
"Isso segue a linha de um hotel mesmo. Já perguntaram se o "concièrge" era a recepção do hotel do shopping porque o espaço tem essa cara", afirma Carina, trazida da rede Fasano.
"Nunca trabalhei em shopping antes e nunca havia imaginado. No hotel, o hóspede pode ter todas as necessidades atendidas e cobradas no final da estadia", diz Mariana Mazaia, do shopping Cidade Jardim, que já passou pelos hotéis Renaissance, Meliá e Transamérica.
"Os hotéis aprimoram cada vez mais a prestação de serviço e os diferenciais, e os outros segmentos viram esse potencial nos hoteleiros", afirma Thais Carvalho Lisboa, coordenadora dos cursos de hotelaria do Senac de São Paulo.
A mordomia dos hotéis também chegou aos condomínios. "Não tenho porteiro, tenho recepcionista. Temos espelhados todos os serviços que existem nos hotéis", diz Colette Argentini, que depois de 27 anos na rede hoteleira coordena sete conjuntos da Cyrela e consegue até reserva em restaurantes difíceis e ingressos esgotados para shows e peças de teatro.
No St. Marché, supermercado VIP do VIP do VIP que inclui o Empório Santa Maria, a ex-hoteleira Camilla Barretto veio do Emiliano. "Estou ali para resolver a vida dos clientes, meu papel é mimá-los. Assim eles voltam", diz Camilla, que trabalha com outras duas gerentes, todas vindas de hotéis.


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