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Lembranças do Brasil

Sul-coreano que faz viagem pelo mundo é roubado quatro dias após chegar ao país

Victor Moriyama/Folhapress
O sul-coreano Kim Haeng-Chang, 48, com os filhos gêmeos Muni e Miri, 5, em São Vicente
O sul-coreano Kim Haeng-Chang, 48, com os filhos gêmeos Muni e Miri, 5, em São Vicente

NATÁLIA CANCIAN
ENVIADA ESPECIAL A SÃO VICENTE

O sul-coreano Kim Haeng-Chang, 48, já passou por Tailândia, Índia, Istambul, Croácia, Alemanha e pelo Senegal. No último dia 8, desembarcou no Brasil. Mal chegou e já foi assaltado -a ação aconteceu quatro dias após Kim entrar no país e atrasou seus planos.

Ele saiu da Coreia do Sul há cerca de dois anos com os dois filhos gêmeos, os meninos Muni e Miri, hoje com cinco anos. A ideia, segundo Kim, que deixou o trabalho de professor universitário para viajar, era "mostrar o mundo" aos filhos sem que eles tivessem de interromper os estudos.

Desde então, os três já passaram por países da Ásia, Europa e África. O trio chegou ao Brasil de navio e, desde então, está em São Vicente, no litoral sul paulista.

De lá, deve seguir para Curitiba e depois a outros países da América do Sul, como o Paraguai. Parte do percurso é feito em cima de uma bicicleta, ligada a uma carroça de madeira decorada com frases como "Your help make our world tour" (sua ajuda faz nossa volta ao mundo).

Segundo o viajante, na estrutura coberta por lona cabem os filhos sentados, e, atrás, a bagagem -roupas, remédios, comida, uma barraca e sacos de dormir.

"Acho que, com os dois, soma mais de 150 kg. É quase um tanquinho de guerra", diz, aos risos, em inglês.

A aventura deve acabar em agosto de 2013, quando Kim reencontrará a mulher e uma filha de sete anos, na China.

ROUBADOS

Um imprevisto atrapalhou os planos da família. Na quinta-feira, após a história de Kim ser exibida na TV, três homens, um deles armado, assaltaram o trio, que estava acampado em uma praia de São Vicente. Levaram US$ 600 e uma bolsa com documentos -incluindo os passaportes.

"Já tinha sido roubado em outras viagens sozinho, na Nigéria, por exemplo. Mas levarem meu passaporte é a primeira vez", conta Kim, que não reagiu para preservar a segurança das crianças.

Após o roubo, ele recebeu ajuda de moradores e registrou um boletim de ocorrência. Na delegacia, encontrou o instrutor de voo Sérgio de Carvalho, 39, o Neco da Asa-Delta, que tinha sido furtado dias antes. "Na hora, senti que deveria ajudá-lo", diz o instrutor, que ofereceu abrigo em uma casa da família.

A vizinhança toda ficou curiosa para conhecer a história do "china". Hoje, Kim e os filhos ocupam um quarto na casa de Célia Carvalho, 65, a "brazilian mother" (mãe brasileira), na definição carinhosa da família.

Lá, os meninos aproveitam os brinquedos que ganharam dos vizinhos (não poderão levar na viagem), assistem TV e desenham com lápis de cor.

A estadia deve durar até recuperarem os passaportes. Ontem, estiveram no consulado, em São Paulo, para providenciar o documento, que deve ficar pronto em duas semanas.

Célia diz que eles podem ficar o tempo que quiserem. "São como meus netinhos. Não vou soltar para o incerto jamais", afirma.

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