São Paulo, sexta-feira, 12 de abril de 2002

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Renegociação da dívida ainda aguarda

DE WASHINGTON

O secretário de finanças da Argentina, Lisandro Barry, enviou ontem uma carta aos detentores de títulos do país desmentindo que esteja indo para os EUA na próxima semana para dar início ao processo de reestruturação da dívida externa do país.
"No final da semana passada, a imprensa deu ampla divulgação para a notícia de que eu estaria viajando para os EUA no dia 17 de abril para nos encontrar com detentores de títulos da Argentina", escreveu Barry, o negociador oficial da dívida argentina, numa carta publicada pela associação de negociadores de títulos de mercados emergentes (a "EMTA"). "Queremos esclarecer qualquer mal-entendido que possa ter surgido como resultado da divulgação dessa informação. Embora a Argentina esteja comprometida em conduzir um diálogo com os detentores de títulos..., o governo concluiu ser preferível iniciar tal diálogo uma vez que atinjamos um grau de certeza maior".
Desde que a Argentina deu um calote em sua dívida externa de US$ 140 bilhões, em dezembro passado, parte dos credores externos formou um comitê para facilitar a negociação e avaliar a possibilidade de moverem uma ação judicial contra o governo.
Alguns credores optaram por ficar de fora do comitê, o que permite a eles tomar decisões independentes. Um desses credores foi o DCA Grantor Trust, um fundo de investimentos norte-americano que entrou com um processo em Nova York para cobrar US$ 1,5 milhão em títulos da dívida argentina não pagos pelo governo.
Até o momento, o comitê dos credores decidiu evitar o confronto judicial. "A habilidade de os argentinos nos pagarem agora é zero", explicou à Folha Peter Alan, representante do comitê de credores.
"Tem que haver um programa do FMI. Tem que haver pelo menos um começo para sabermos onde estamos pisando. Enquanto a economia argentina estiver numa situação como essa, o governo não poderá nos dizer quando e quanto vai pagar."
Alan disse que há outras prioridades a serem perseguidas pelo ministro de Economia, Jorge Remes Lenicov. "Enquanto a economia argentina estiver assim, quase morta, não dá para começar a negociar."
(MARCIO AITH)


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