São Paulo, domingo, 08 de julho de 2007

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APOSENTADORIA NA MÃO

Aposentadoria não freia carreira no setor privado

1 em cada 3 profissionais continua no mercado mesmo recebendo do INSS

ANDRESSA ROVANI
DA REPORTAGEM LOCAL

Pelo menos na prática, o verbo aposentar está cada vez mais fora de moda. Se antes a aposentadoria era considerada o término da fase produtiva do trabalhador, hoje representa o encerramento de uma primeira etapa, não o fim do trabalho.
Prova disso é que um em cada três aposentados do país continua trabalhando ou está em busca de uma posição. Eles somam 6,6 milhões de profissionais que não rompem o vínculo com a empresa em que trabalham ou que procuram outra vaga, segundo levantamento do pesquisador Márcio Pochmann, da Unicamp, com base em dados oficiais.

Salário baixo
A atitude, segundo o Ministério da Previdência Social, é legal: na esfera privada o trabalhador pode aposentar-se e permanecer no mesmo posto, recebendo o antigo salário. A situação é comum para os que recebem tanto o valor mínimo de aposentadoria (R$ 380) quanto o máximo (R$ 2.894,28). Isso porque ou o valor pago pela Previdência é insuficiente para manter a família ou porque a queda de renda é muito brusca.
João Pereira dos Santos é um deles. Aos 68, ele, que trabalha com moto-entregas na Logistech, deve entrar com o pedido de aposentadoria ainda em 2007, mas diz não ver perspectiva de encerrar definitivamente o expediente. "Só paro quando morrer", avisa ele, explicando que é o valor da aposentadoria que não o permite parar.
Para o bancário Yoshiaki Onoe, 55, a situação é semelhante. Com o padrão de vida que tem hoje, seria inviável manter a família apenas com o valor da aposentadoria, conta.
"Não posso abrir mão do salário que recebo", explica Onoe, que se aposentou em 2005 e continua com a carreira bem-sucedida no Banco do Brasil.
"O brasileiro não foi preparado viver com salário de aposentadoria. É um problema gravíssimo", diz João Inocenttini, presidente do Sindnap (sindicato dos aposentados). Segundo ele, dos 25 milhões de aposentados e pensionistas do país, 17 milhões ganham o mínimo.

Planejamento de futuro
Visando minimizar o impacto da mudança brusca no cotidiano de quem se aposenta, grandes empresas já assumem o compromisso pela transição.
A Arcelor-Mittal Tubarão, por exemplo, já atendeu 2.000 trabalhadores em um programa de planejamento pós-trabalho. "Aposentadoria é uma etapa não tão tranquila para os que não têm planejamento. A maioria esquece que esse dia vai chegar", diz a assistente social da empresa, Janaína Almeida.


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