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São Paulo, segunda-feira, 17 de março de 2003

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FUTEBOL

Jogo bate o recorde de gols das finais contra o São Paulo pelo Paulista

Gil sai da sombra e define a partida para o Corinthians

JOÃO CARLOS ASSUMPÇÃO
DA REPORTAGEM LOCAL

O Corinthians poderia ter definido a partida mais cedo. Depois de fazer 2 a 1, desperdiçou três grandes chances para aumentar, uma com Liedson, outra com Gil e a última com Rogério, acabou cedendo o empate e por pouco não permitiu que o São Paulo virasse o marcador.
Quando o time do Morumbi voltou a acreditar em suas possibilidades, Gil, o ""carrasco do São Paulo", marcou e deu à vitória -3 a 2- ao Corinthians.
Apesar de Jorge Wagner e Liedson terem entrado como as estrelas do time do Parque São Jorge, Gil, que costuma se dar bem contra o arqui-rival, tendo marcado três gols contra ele no ano passado, já tinha avisado durante a semana: ""Esse jogo eu resolvo".
E foi o que fez. Aos 38min do segundo tempo, livrou-se da marcação, chutou para o gol e saiu para comemorar. ""Eu senti o gol. Levo sorte contra o São Paulo e, mesmo quando parecia que eles estavam reagindo no jogo, achei que poderia decidir", festejava o atacante, que conta ter um histórico de sucesso contra o rival desde os tempos dos juniores.
Saiu de campo como herói de um jogo movimentado, que bateu o recorde de gols da história das finais entre Corinthians e São Paulo no Paulista.
Em 1982, 83, 87, 91 e 98, os outros anos em que os dois times se enfrentaram na final do Estadual, nenhuma partida decisiva teve cinco gols como a de ontem.
A etapa inicial foi marcada pelo equilíbrio -segundo o Datafolha o São Paulo teve 51% da posse de bola, e o Corinthians, 49%.
A equipe do Morumbi entrou em campo com uma formação ousada, sem lateral-direito -Oswaldo de Oliveira optou por usar o volante Júlio Baptista no lugar que seria de Gabriel.
O técnico são-paulino justificou a opção argumentando que Júlio Baptista também sabe atuar no setor e, além de ser forte na marcação, poderia ajudar a armar melhor as jogadas de ataque.
A decisão de Oliveira irritou Gabriel. "Queria jogar. Já marquei o Gil [no Brasileiro", acho que fiz direitinho, mas respeito a decisão do técnico. Ele me disse que precisava de alguém que ficasse parado marcando", desabafou.
O primeiro gol da partida foi anotado pelo Corinthians, aos 29min, em pênalti que Gustavo Nery, que já tinha recebido cartão amarelo e poderia ter levado vermelho no lance, cometeu em Liedson e Rogério converteu.
Quatro minutos depois o São Paulo empatou. Ricardinho deu um belo passe para Luis Fabiano, que tocou para marcar na saída de Doni. Apesar do gol, que o levou à artilharia do campeonato, ao lado de Rico e Ricardo Oliveira, o atleta deixou o campo desanimado. ""Não quero ser artilheiro, quero ser campeão", declarou.
Com Kaká, que antes do jogo era dúvida, em dia apagado -deixou o campo na fase final reclamando de dores na coxa esquerda-, o time de Oliveira não teve sucesso no segundo tempo.
Deu muito espaço para o rival e acabou sofrendo o segundo gol aos 24min. Fábio Luciano, em impedimento, marcou de cabeça após cobrança de falta.
""Para mim é normal. Já fiz até gol em que a bola não entrou [no Mundial de Clubes de 2000", toda hora tem problema. O que importa é que vencemos", disse o zagueiro após a partida.
Mas para chegar à vitória o atleta levaria um susto. Reinaldo, que costuma se sair bem contra o Corinthians, chegou a empatar para o São Paulo aos 32min -foi seu oitavo gol em nove jogos que disputou contra a equipe do Parque São Jorge. E três minutos depois ainda veria Itamar, que substituiu Kaká, acertar a trave de Doni, por pouco não virando o placar.
Mas aí o Corinthians voltou a explorar o lado esquerdo, acionou seu ""carrasco" e pôde, finalmente, comemorar a vitória.


Colaborou Marília Ruiz, da Reportagem Local

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