São Paulo, segunda-feira, 26 de setembro de 2005

Texto Anterior | Próximo Texto | Índice

Schumacher quem?

Alonso, 24, é o mais jovem campeão da F-1

Eduardo Knapp/Folha Imagem
O piloto espanhol Fernando Alonso festeja nos boxes em meio aos mecânicos da Renault após conquistar o título antecipado do Mundial de F-1 com o terceiro lugar no GP Brasil, em Interlagos

Espanhol supera Fittipaldi e, com 3 lugar, torna-se o primeiro a conquistar Mundial em Interlagos

FÁBIO SEIXAS
TALES TORRAGA
TATIANA CUNHA
DA REPORTAGEM LOCAL

No pódio de Interlagos, Fernando Alonso ajoelhou-se respeitosamente e colocou sua taça no chão. Levantou-se e, lá do alto, derramou champanhe no troféu.
Um gesto para marcar território. Porque mostrou, assim, que é espanhol e, mais que isso, asturiano. Porque mostrou, bebendo, que havia motivos para festejar.
Muitos, importantes, históricos motivos. Terceiro colocado no GP Brasil, ontem, Fernando Alonso Díaz, 24 anos, 1 mês e 27 dias, tornou-se o mais jovem campeão da F-1, superando o brasileiro Emerson Fittipaldi, que triunfou em 1972 aos 25 anos.
É o ápice de uma série que ele vem colecionando há dois anos: de recordes de precocidade.
Em 2003, aos 21, ele já havia se tornado o mais jovem a obter uma pole position, e aos 22, a ganhar uma prova.
Alonso ainda fez de seu país o 15 a conquistar um título na categoria -antes dele, nenhum espanhol havia vencido um GP.
Fez mais: tornou-se o primeiro campeão a ter passado pela Minardi, a mais nanica das escuderias da categoria; venceu o duelo pelo título mais jovem da história, com média de 25 anos; e deu o primeiro campeonato à Renault, o que um mito, Alain Prost, não conseguiu.
Mas talvez nenhum número supere o verbo. Pois o espanhol, ontem, não marcou território só no pódio. Em suas declarações, fez questão de enterrar o homem a quem sucede, o heptcampeão e vencedor dos últimos cinco Mundiais, Michael Schumacher.
"Vencer o campeonato agora, duelando com o Kimi [Raikkonen], é mais do que o Schumacher fez nos últimos anos. E ganhei com o Schumacher na pista", disse. "Ainda bem. Se eu tivesse vencido com ele aposentado, diriam que não teve graça."
A Renault reforçou a atitude. Após a bandeirada, seus integrantes vestiram camisetas com a inscrição "Schumacher who?" (em inglês, Schumacher quem?).
Rei posto, o alemão não caiu na provocação. "Ele mereceu, é um verdadeiro campeão", declarou.
Alonso também foi cumprimentado pelo rival. "Ele está de parabéns", disse Raikkonen, segundo ontem, atrás do companheiro, Juan Pablo Montoya.
Para garantir o Mundial, Alonso fez ontem o mínimo necessário para não depender do rival: subiu ao pódio. Com a pista úmida pela chuva na madrugada, claramente preferiu evitar riscos.
Largando na pole, foi superado por Montoya na terceira volta, na Reta Oposta, e por Raikkonen na 31, após os primeiros pit stops.
Manteve-se então em terceiro, garantindo a conquista, festejada no pódio com um gesto típico de sua região. "É algo que fazemos em celebrações nas Astúrias. Colocamos a garrafa de cidra no alto e despejamos no copo", disse.
Os brasileiros tiveram desempenho fraco em casa. O único a pontuar foi Rubens Barrichello, que terminou a prova em sexto lugar. Da Inglaterra, Emerson cumprimentou o espanhol: "O recorde ficou em boas mãos".
Mas os 65 mil torcedores que foram a Interlagos descobriram ontem um sabor novo, o da consagração de um campeão, ainda que levantando outra bandeira.


Texto Anterior: Esquema não afetou Série B, diz promotor

Próximo Texto: Automobilismo: Briatore volta ao topo com frieza e xingos
Índice



Copyright Empresa Folha da Manhã S/A. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folhapress.