São Paulo, terša, 4 de fevereiro de 1997.

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Nove brasileiros expõem arte contemporânea em Paris

Divulgação
Tela de Verena Matzen, que tem exposição prevista para 7 de fevereiro


BETINA BERNARDES
de Paris

O público francês está tendo uma boa oportunidade para conhecer a visão contemporânea da arte brasileira. Nove artistas plásticos brasileiros estão exibindo seus trabalhos em diferentes espaços de Paris esta semana.
Ontem foi inaugurada a mostra de Isabelle Tuchband na Galerie Landrot. No dia 7 de fevereiro, a Galerie La Fleur D'Or começa a expor telas de Verena Matzen. No Espaço Cultural da Embaixada do Brasil estão as obras do grupo Vírgula Sete.
Tuchband trouxe para a França 36 dos seus vasos de cerâmica. Com 28 anos de idade, ela é a mais jovem artista a ser exposta no prestigiado espaço de Gérard Landrot, em Saint Germain de Près.
Tuchband vai expor os vasos de cores fortes e retratos de mulheres em relevo. A artista trabalha a peça da modelagem à pintura. Queimados no forno a 1.200° C, os vasos pintados por Tuchband são peças únicas, cada uma com formatos e tamanhos diferentes.
"Expor aqui é uma grande conquista, uma volta às minhas raízes", conta Tuchband, que morou e estudou arte em Paris no final dos anos 80.
Ela e Verena Matzen têm um ateliê em São Paulo, na esquina da rua Bela Cintra com alameda Franca. As duas são autoras do painel em cerâmica de 5 m x 1 m da estação de metrô Santa Cruz, inaugurado em agosto do ano passado.

Orixás
Matzen, 31, mostrará em Montmartre 16 telas que trabalhou com carvão e óleo sobre o candomblé.
De suas pesquisas em terreiro, surgiu sua visão contemporânea do corpo humano do orixá. Eles aparecem nus com seus colares.
O movimento e a essência de cada um não fogem à percepção da artista. Iansã, por exemplo, aparece guerreando. Oxum, que também morava nas águas, se olhava no espelho antes de lavar os filhos. Ao lado de cada tela há uma breve explicação sobre o que cada orixá representa e como eles se inserem na cultura brasileira.
Antes de Paris, Matzen e Tuchband fizeram uma exposição em Madri, caminho inverso ao percorrido pelo Vírgula Sete.
O grupo de sete artistas continua com sua mostra em Paris, mas partiu para a exibição de outros trabalhos na Espanha.
Ayao Okamoto mostra trabalhos de parafina e prego sobre madeira. Alberto Lefèvre expõe esculturas utilizando grafite também sobre madeira. Aprigio Fonseca usa, em sua "Hóstia", técnica mista sobre pele.
Frederico Fonseca usa óleo e fotografias em suportes que vão do papel à madeira.
Graciela Rodriguez opta pela técnica mista em suas grandes telas e Mario Ishikawa exibe desenhos, pinturas e esculturas.
Roberto Ikinaka deixa transparecer em suas telas sua forte influência oriental, utilizando inclusive penas de galinha.


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