São Paulo, sexta, 19 de junho de 1998

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Dominguinhos insiste com forró

SYLVIA COLOMBO
Editora-assistente da Ilustrada

Está garantida a trilha sonora para as festas de São João. O novo disco de Dominguinhos, 43 de sua carreira, não vem encartado num livro de receitas juninas, mas evoca a sonoridade das tradicionais festas do Nordeste, embaladas pelo forró.
Sim, forró mais uma vez. O ritmo, que conquistou a noite paulistana e jogou no mercado um punhado de novos grupos, impulsionou também o trabalho de veteranos da música nordestina. Elba Ramalho, Alceu Valença, Genival Lacerda, Geraldo Azevedo e agora Dominguinhos lançaram discos reverenciando o gênero.
"Já que está todo mundo fazendo forró de novo, estou gravando um disco para servir de referência", disse Dominguinhos, sobre seu "Nas Costas do Brasil" (Velas), em entrevista à Folha.
O tom didático que usa não é sem razão. Enquanto os novos grupos abusam do uso de teclados, guitarras e uma mistura esquisita de sax e sanfona, Dominguinhos mostra que o forró tradicional ainda tem zabumba, triângulo e agogô.
A diferença principal, segundo ele, é a da batida. "Essas bandas fazem de tudo para o forró parecer lambada, meio sambado, que é mais apelativo para os jovens, mais comercial", diz ele.
A sua preocupação é com a generalização do termo "sonoridade nordestina" designando os ritmos baianos mais comerciais. "De repente a referência do som do Nordeste passou a ser a axé music", reclama.
Para ele, o mangue beat, por sua vez, foi importante porque "colocou novamente na frente dos olhos do nordestino a sua própria música".
"Nas Costas do Brasil" também responde a uma necessidade de registrar em CD canções que Dominguinhos tem medo de perder. "As gravadoras, quando lançam coletâneas de relançamentos, escolhem as músicas que querem sem consultar o artista e sem saber realmente o que é importante, por isso resolvi gravar sem a interferência delas."
O disco conta com 14 canções, entre elas as já consagradas "Pedras que Cantam" (Dominguinhos/Fausto Nilo), "Isso Aqui Tá Bom Demais" (Dominguinhos/Nando Cordel) e "Eu Só Quero um Xodó" (Dominguinhos/Anastácia), que já teve mais de 250 regravações.
Luiz Gonzaga permanece sendo a principal referência. "É preciso lembrá-lo a cada momento", diz Dominguinhos, cujo último lançamento ("Dominguinhos e Convidados Cantam Luiz Gonzaga") também reverenciava o mestre ao lado de outros nomes da MPB, como Chico Buarque, Gilberto Gil, Sérgio Reis, Djavan e Genival Lacerda.
O lançamento de "Nas Costas do Brasil" será no meio onde foi concebido: as festas juninas do Nordeste. Os palcos do sul do país devem vê-lo no segundo semestre.


Disco: Nas Costas do Brasil
Artista: Dominguinhos
Lançamento: Velas
Quanto: R$ 18 (o CD, em média)



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