São Paulo, sexta-feira, 31 de agosto de 2001

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CINEMA/ESTRÉIA

"BUFO & SPALLANZANI"

Adaptação de romance homônimo de Rubem Fonseca marca estréia de Flávio Tambellini na direção

"Foi difícil saber o que descartar do livro"

LÚCIA VALENTIM RODRIGUES
DA REDAÇÃO

Sapos e assassinatos. São esses os pontos de partida do romance "Bufo & Spallanzani" (85), de Rubem Fonseca. Após 30 mil exemplares vendidos desde 91 e na 25 edição, o livro chega às telas pelas mãos de Flávio Tambellini.
Intitular sua obra com o nome de uma espécie de anfíbio -Bufo marinus- associada ao sobrenome de um cientista foi a maneira de Fonseca atrair o leitor para o desconhecido. Na transposição para a telona, Tambellini resolveu mantê-la. "Até falaram que eu deveria escolher um nome mais comercial, porque o público não entenderia. Mas, além de perder a idéia original, que nome eu poderia dar?", pergunta. "Acabaria caindo num "A Vingança de Não Sei o Quê". Eu me recusei."
Tambellini deixa os bastidores da produção de filmes como "Eu Tu Eles" e "A Ostra e o Vento" para estrear na direção. "Sempre quis dirigir, mas o mercado me levou para a produção. Quando me deparei com as qualidades do livro de Fonseca, encontrei um projeto com a minha cara."
Segundo ele, foi muito difícil adaptar a obra, "saber o que usar e o que descartar entre tantos detalhes que há no romance".
Para ajudá-lo a realizar essa tarefa, o cineasta chamou a escritora Patrícia Melo. Ela iniciou o trabalho de roteirizar a história de um escritor que é amante de um socialite rica, até ela aparecer morta numa Mercedes.
"Em um certo momento, acabamos ficando com duas histórias desconectadas uma da outra", conta. A consistência do enredo foi dada pelo próprio Rubem Fonseca: "Ele fez uma releitura do livro, reconstruindo e destruindo personagens".
Apesar de o filme estar pronto há dez meses, o diretor preferiu adiar a estréia. "Tive de segurar minha ansiedade. A divulgação não tinha estourado ainda. Ia ser precipitado ter estreado antes. Agora é a hora certa."
"Bufo" foi exibido em diversos festivais antes de estrear hoje. A última participação foi na competição de Gramado no começo deste mês. "Não queria entrar, porque é um festival muito político. Mas acabei entrando."
Ganhou quatro Kikitos: ator (Tony Ramos), atriz (Isabel Guéron), ator coadjuvante (Juca de Oliveira) e direção de arte (Gualter Pupo Filho). Mas perdeu os prêmios principais -de melhor filme e diretor- para "Memórias Póstumas". "Fiquei feliz pelo André [Klotzel, diretor de "Memórias Póstumas'". Já tínhamos sido premiados lá fora, em Miami."
Enquanto produz "O Homem do Ano", de José Henrique Fonseca, e "Estação Carandiru", de Hector Babenco, Tambellini se envolve em mais uma adaptação: "Passageiro", de Cesario Mello Franco, ainda a ser lançado. "Como o processo de filmagem no Brasil é demorado, só devo me dedicar a isso no ano que vem."



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