São Paulo, domingo, 31 de outubro de 2004

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TV

Diretora artística da emissora sai antes de completar um ano no cargo e depois de demissão de sua pupila Preta Gil

Marlene Mattos avalia fim da sua temporada na Band

LAURA MATTOS
DA REPORTAGEM LOCAL

A partir de amanhã, Marlene Mattos não é mais a poderosa da Band. A saída ocorre nove meses após a admissão e mais de um ano antes do fim do contrato. Alívio para o canal, insatisfeito com sua atuação no comando artístico. E para ela, descontente com a demissão de sua pupila Preta Gil e com a falta de liberdade para mudar a programação.
A contratação da ex-global foi um dos principais investimentos da emissora nos últimos anos e o primeiro grande projeto da diretora após o rompimento da sociedade de 20 anos com Xuxa.
E tudo termina para Marlene no momento em que a "rainha dos baixinhos" enfrenta uma das fases mais difíceis no Ibope. Leia o que a diretora pensa sobre essa coincidência e sua saída da Band.

 

Folha - Por que a passagem pela Bandeirantes já terminou?
Marlene Mattos -
2005 está na minha porta anunciando que 2010 chegará em breve, e estarei com 60 anos. Portanto tenho a obrigação de saber perceber uma mudança de pensamento, considerar a necessidade de avaliar o momento e atender ao pedido do coração. Foi o que eu fiz quando encurtei o tempo do contrato.

Folha - Quem decidiu romper previamente o seu contrato?
Marlene -
Para mim, isso não tem importância, mas a decisão foi minha e aceita pela Band.

Folha - Sua saída da Band coincide com a fase difícil de Xuxa no Ibope. Concorda que o fim da sociedade tenha prejudicado as duas? Há a possibilidade de voltar a trabalhar com a apresentadora ou na Globo?
Marlene -
Não concordo. Acho que todos os dias são influenciados por mudanças e nada permanece igual! Tudo isso faz parte de um passado. Meu presente hoje é descansar 15 dias e depois disponibilizar minhas energias, minha vontade, meu desejo de continuar na batalha.

Folha - Quais são seus planos?
Marlene -
Continuar trabalhando. Vivo do que sei fazer em TV. Minha empresa, 2MS, cuida de alguns artistas e é gerenciada por minha irmã, Ângela Mattos.

Folha - Tem convites de TVs?
Marlene -
Ainda não, mas sei que irão surgir. Faço parte da lista dos bons profissionais e estou aberta para fazer TV fechada.

Folha - O fato de o horário nobre da Band ser preenchido por religião e de todas as noites estarem amarradas em contrato com Gilberto Barros limitou a sua capacidade de ação?
Marlene -
Até tentei sugerir mudanças, mas logo percebi que a Band estava satisfeita com o seu horário nobre.

Folha - Faltou algo para que o programa de Preta Gil emplacasse no Ibope ou ela precisava apenas de mais tempo no ar?
Marlene -
Li um pensamento que tem a ver com o episódio Preta: "O novo só existe de verdade quando o velho compreende e admite que é preciso dois tempos para ver um". Ela tem talento, carisma, boa formação e é informada. Precisa de tempo, paciência e alguém para administrar a artista que tem dentro dela.

Folha - A decisão de demiti-la colaborou para sua saída?
Marlene -
Colaborou, mas não foi decisiva.

Folha - Que avaliação faz hoje da Bandeirantes?
Marlene -
É a quarta TV do país, em imagem e conteúdo.


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