São Paulo, domingo, 02 de maio de 2010

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Cidade paraguaia sob exceção comemora segurança "importada"

Pedro Juan Caballero louva militares e policiais vindos de fora; prefeito acusa forças locais de serem corruptas

GUSTAVO HENNEMANN
ENVIADO ESPECIAL A PEDRO JUAN CABALLERO (PARAGUAI)

Reduto de narcotraficantes, a cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero, na fronteira com o Brasil, convive com brutais assassinatos e tem motivos de sobra para se preocupar com a segurança pública, mas confia pouco nos responsáveis por manter a ordem.
O descrédito da polícia na capital do departamento de Amambay é declarado abertamente pelos moradores. Grande parte só acredita em repressão aos traficantes se o Exército permanecer nas ruas.
Desde quarta-feira, cerca de 200 militares e policiais de Assunção realizam bloqueios na periferia e patrulham o centro à noite. O reforço chegou depois de o governo decretar estado de exceção para combater a guerrilha do EPP (Exército do Povo Paraguaio) no norte paraguaio.
"Agora sim, com a polícia de fora e os milicos, é capaz que prendam alguém. Porque os daqui sabem quem são [os criminosos] e não fazem nada. Fecham os olhos", disse uma senhora em entrevista a uma rádio local.
Dezenas de ouvintes que entraram no ar na sequência ampliaram as críticas à polícia de Pedro Juan Caballero.
Há uma semana, o senador Robert Acevedo, que fez denúncias contra o narcotráfico, sofreu um atentado na cidade. Os autores dispararam 32 vezes contra sua camionete. Três tiros o acertaram de raspão. O motorista e o segurança particular morreram.
Seu irmão e prefeito da cidade, José Carlos Acevedo, considera "corruptos" os policiais e os funcionários responsáveis por expedir documentos na cidade. "A Interpol teria que trabalhar mais aqui, porque a fronteira seca facilita a vida dos criminosos", disse o prefeito.
Os comerciantes parecem também não confiar no poder público. Cada loja mantém um guarda privado fortemente armado, mesmo durante o dia. Homens de óculos escuros em trajes civis carregam espingardas calibre 12 e se misturam aos clientes que vêm do Brasil atraídos pelos baixos preços de roupas e eletroeletrônicos.


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