São Paulo, terça-feira, 26 de abril de 2005

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RÚSSIA

Em seu Discurso sobre o Estado da União, presidente chama fim da URSS de "a maior tragédia geopolítica do século" passado

Putin lamenta colapso da União Soviética

DA REDAÇÃO

Usando uma linguagem veemente, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, lamentou ontem o colapso da URSS e afirmou, em seu Discurso sobre o Estado da União, no Parlamento, que isso foi "a maior catástrofe geopolítica do século" passado.
Em seu discurso anual para os parlamentares, o alto escalão do governo e líderes políticos, considerado o mais importante do ano, Putin também tentou acalmar investidores internacionais, que estão inquietos com o clima para investimentos estrangeiros no país. Vale lembrar que, amanhã, sairá o veredicto do caso contra Mikhail Khodorkovsky, o ex-dono da gigante do petróleo Yukos que é acusado de evasão fiscal e fraude.
Mas suas afirmações sobre o fim da URSS e sobre seus efeitos sobre os russos -no país e no exterior- pareceram ecoar decisões políticas anteriores sobre símbolos da era soviética. Além disso, elas foram feitas apenas duas semanas antes da comemoração do 60 aniversário do fim da Segunda Guerra na Europa -um conflito que os russos chamam de a "grande guerra patriótica".
Num discurso de 50 minutos, Putin evitou mencionar a necessidade de trabalhar mais estreitamente com outras ex-repúblicas soviéticas e fez apenas uma referência breve ao tratamento dado às minorias russas nas ex-repúblicas da URSS. Normalmente, ele dava mais ênfase ao tema em seu discurso anual.
"Primeiro e antes de tudo, vale a pena reconhecer que a morte da URSS foi a maior catástrofe geopolítica do século. No que se refere aos russos, ela se tornou uma verdadeira tragédia. Dezenas de milhares de nossos concidadãos se encontraram além das fronteiras do território russo. E a epidemia do colapso chegou até a própria Rússia", disse o presidente.
Com freqüência, a Rússia reclama do tratamento dado a suas minorias em outras ex-repúblicas soviéticas, sobretudo nos países bálticos -a Estônia, a Letônia e a Lituânia. Nenhum dos três países reagiu às afirmações de Putin imediatamente.
Porém o chanceler da Polônia, Adam Rotfeld, disse que discordava da análise de Putin. "Para mim, o maior evento do século 20 foi o colapso da URSS, que completou o processo de emancipação das nações", afirmou Rotfeld, em Luxemburgo.
A celebração do Dia da Vitória em 9 de maio próximo, em Moscou, será uma enorme festa para a Rússia. Dezenas de chefes de Estado e de governo já confirmaram sua presença no evento, incluindo o presidente dos EUA, George W. Bush, o da França, Jacques Chirac, e o premiê do Reino Unido, Tony Blair.
Operários trabalham sem parar para preparar a capital para o evento, e filmes sobre a Segunda Guerra são a principal atração noturna nas TVs estatais russas.
Putin, que chegou a ser coronel da KGB (a polícia secreta soviética), já foi responsável pela ressurreição de alguns símbolos soviéticos, como a bandeira vermelha -sem a foice e o martelo. Ela é hoje a bandeira militar.

Democracia
O presidente disse ainda que a Rússia se mantém comprometida com a democracia, mas salientou que seu modelo democrático é singular e não pode ser comparado com o de outros países.
Nesse sentido, boa parte do discurso de Putin teve como objetivo mostrar aos investidores internacionais que as leis são respeitadas na Rússia e que eles podem confiar nas "regras do jogo".
Ele disse aos fiscais federais que não "aterrorizem os empresários" e repetiu um pedido para que o tempo para contestar privatizações passe de dez anos para três anos. Empresas estrangeiras precisam de "regras do jogo" sobre quais setores da economia russa estão abertos a investimentos externos, afirmou Putin.


Com agências internacionais

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