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São Paulo, sábado, 16 de agosto de 2003

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CLÓVIS ROSSI

Haja Duda Mendonça

SÃO PAULO- O Luiz Inácio Lula da Silva que apareceu anteontem à noite na minha TV parecia de plástico.
É típico, aliás, dos trabalhos de Duda Mendonça. Convém, antes de entrar no assunto propriamente dito, deixar claro que nada tenho contra Duda ou os marqueteiros políticos em geral. Sei que muita gente séria e do bem reclama deles, como se conspurcassem as campanhas políticas.
Talvez até tenham razão, mas campanhas políticas jamais foram puras desde que inventaram as eleições, que, não obstante, continuam sendo o melhor meio (ou o menos ruim) de escolher dirigentes.
Meu problema com o Duda (e com outros marqueteiros) é que ele se revela de uma qualidade fenomenal na hora de vender o candidato, qualquer que seja. Mas nem seu imenso talento publicitário lhe dá forças para vender também o governante, a menos, é claro, que este tenha muita coisa a mostrar.
Não é o caso, ainda, do governo Lula, cuja única obra, a rigor, foi continuar a obra do governo anterior, o que é sempre mais fácil. Mas, como foi eleito em nome da "mudança", não tem um produto de sua própria lavra para exibir.
Do que decorre, fatalmente, o artificialismo da aparição na rede nacional de TV. Despejou uma catarata de platitudes e, ainda por cima, queixou-se dos que "ainda reclamam", mesmo depois de sete meses de sucessos estrondosos, que, no entanto, só aparecem na mensagem de Duda Mendonça.
Não quero estragar o prazer que Lula sente em relatar seus triunfos, mas, só como ajuda-memória, alguns títulos das edições de ontem e de anteontem desta Folha que explicam as reclamações: "IBGE mostra que indústria desacelera em todo o país"; "SP registra pior junho desde 1999"; "Queda da produção diminui a arrecadação de impostos"; "Aumenta pessimismo do brasileiro"; "Calote do cheque sem fundos registra novo recorde anual"; "Venda no comércio atinge 7 meses de queda".
Sinto, presidente, mas não há Duda Mendonça que dê jeito nisso.


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