São Paulo, quarta-feira, 09 de agosto de 2006

Texto Anterior | Próximo Texto | Índice

VIZINHO

Kirchner diz que seu país não tem "relação carnal" com EUA

DE BUENOS AIRES

O presidente argentino, Néstor Kirchner, afirmou ontem que o país "já não tem relações carnais com ninguém, é independente" e "toma suas próprias decisões".
As declarações de Kirchner foram uma dura resposta ao anúncio feito anteontem pelos EUA de que revisarão o Sistema Geral de Preferências, programa de tarifas comerciais que concede vantagens a países em desenvolvimento e vence no final do ano. Na revisão, 13 países podem ser excluídos, entre eles Brasil e Argentina.
"Com todo respeito a todos os países do mundo e aos EUA, a Argentina sabe o que tem de fazer, o que foram as relações carnais, o que foi ser um país dependente, o que é a fome, a queda da indústria e o que nos significou nos subordinar a políticas que não devíamos nos ter subordinados", afirmou Kirchner. O termo "relações carnais" é uma referência à expressão usada pelo governo Carlos Menem (1989-1999) para definir a relação próxima com os EUA no período.
O presidente argentino comparou os EUA ao Império Romano. Afirmou que os americanos usam "velhas teorias do Império Romano" ao cogitar a retaliação comercial por conta da falência das negociações da Rodada de Doha, da OMC (Organização Mundial do Comércio) e do rechaço de alguns países à Alca (Área de Livre Comércio das Américas).
Não houve sintonia entre as declarações do presidente e a análise do secretário de Relações Internacionais da chancelaria argentina, Alfredo Chiaradía. O diplomata considerou "normal" o anúncio americano e descartou se tratar de represália.
A Argentina exporta cerca de US$ 600 milhões anuais utilizando as tarifas preferenciais do sistema.

Preços
Depois de dois anos de congelamento de preços, o governo argentino autorizou ontem o reajuste de 20% nas tarifas de vôos domésticos. A medida atende à reclamação das Aerolíneas Argentinas, que detém 90% do mercado, e faz parte do acordo da Casa Rosada com a empresa para aumentar a participação acionária na companhia: dos atuais 1,4% para até 20%.
O governo Néstor Kirchner também concedeu aumento de 10% a 15% para empresas de transporte de ônibus de longa distância. Não havia modificações dos valores há três anos.
No caso dos ônibus, o aumento vale desde ontem. Para as aéreas, será divido: 10% agora e 10% em 30 dias.
Os reajustes concedidos pela Casa Rosada aumentam a expectativa dos demais concessionários de serviços públicos por aumentos.


Texto Anterior: Fed deixa futuro em aberto, e Bolsas recuam
Próximo Texto: Administração portuária: PF acusa 44 pessoas de fraude em licitações nas Docas do PA
Índice



Copyright Empresa Folha da Manhã S/A. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folhapress.