São Paulo, domingo, 05 de março de 2006

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FUTEBOL

E já vai tarde

JUCA KFOURI
COLUNISTA DA FOLHA

Agnelo Queiroz assumiu o Ministério do Esporte cercado de boas expectativas na imprensa esportiva, que tinha dele a imagem de um deputado combativo e sério.
Pois ele está de saída, e não haverá na imprensa respeitável uma só linha que a lamente.
Lula dirá que jamais houve um ministro do Esporte como ele.
E, a rigor, com razão, porque foi o único até agora.
Lembremos que Pelé era ministro extraordinário e que os que o sucederam no período FHC -Rafael Greca, Carlos Melles e Caio Carvalho- foram ministros do Turismo e do Esporte, mais daquele do que deste.
Greca e Melles, por sinal, dois desastres, diferentemente de Carvalho, no último ano.
Agnelo é cordeiro em italiano, como bem sacou, neste espaço, o fino provocador Marcos Augusto Gonçalves, hoje editor da Ilustrada, buono e vero.
Tão cordato que virou amigo íntimo de cartolas como Carlos Nuzman e Ricardo Teixeira, este último vítima de um virulento discurso seu, com graves acusações, quando o ministro era ainda deputado do PC do B.
Agnelo entra para a história de diversas formas, nenhuma delas abonadora ou confortável.
Como papagaio de pirata de atletas vencedores, por exemplo.
Ou como hóspede do mesmo luxuoso navio que abrigou o milionário Bill Gates na Olimpíada de Atenas, em 2004.
Ou pelo episódio, que valeu a honrada renúncia de Magic Paula ao ministério, quando o Comitê Olímpico Brasileiro pagou a estadia do ministro e de sua funcionária nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, "equívoco" sanado só depois que a imprensa descobriu e denunciou.
Agnelo recebeu, dos jogadores da seleção brasileira, o apelido de "Medalhão" depois que botou no peito a medalha de ouro que seria do zagueiro Luisão, na Copa América. O atleta saíra do gramado para o hospital.
Não se fez de rogado, também, ao assinar, ao lado de Amaury Pasos e Wlamir Marques, a camisa que homenageou os bicampeões mundiais de basquete em festa realizada na confederação brasileira.
Pior foi vê-lo como ardoroso defensor dos bingos, vício que o levou a ser o pai do embuste chamado Timemania, a loteria que premia os endividados do futebol sem deles exigir contrapartidas.
Razão pela qual não é de estranhar que tenha mantido como agência do ministério, mesmo depois do escândalo, a empresa de Marcos Valério. Ou que sua saída seja contemplada com sérias críticas do Tribunal de Contas da União, que viu inúmeras distorções no programa Segundo Tempo, herança, sob novo nome, da gestão anterior.
Não satisfeito, Agnelo foi flagrado ao assinar vetos a duas medidas moralizantes do Estatuto do Torcedor. Confrontado com o que dizia não ter assinado, tentou fugir, em pleno "Roda Viva", da TV Cultura, ao dizer que a assinatura era falsa. Não era.
Sua pífia gestão chega ao fim porque quer suceder Joaquim Roriz em Brasília. Faz sentido.

Sem final
Santos e Palmeiras fazem o jogo do domingo paulista. Mas as equipes comandadas por Vanderlei Luxemburgo e Emerson Leão não jogam neste clássico a sorte do campeonato, a tal decisão antecipada. Não só porque uma vitória do Santos deixará o Palmeiras, virtualmente, a somente dois pontos do líder como porque também tem o São Paulo, que deve passar pelo São Bento, mesmo atuando em Sorocaba, e permanecer na cola dos santistas, que ainda enfrentarão. Já os corintianos, que devem golear o Marília no Pacaembu, torcerão pelo empate na Vila Belmiro, porque ainda jogarão contra o São Paulo, no domingo que vem, e o Palmeiras. Santos e Palmeiras, curiosamente, com elencos mais limitados, possuem campanhas um pouco melhores que as dos dois ricos rivais, coisa que o Real Madrid sabe explicar. Ou não?
E-mail blogdojuca@uol.com.br


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