São Paulo, quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

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Editoriais

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Ditadura em declínio

É NUM CLIMA de contagem regressiva, sem dúvida, que se comemoram os 50 anos da Revolução Cubana. Sempre haverá, como no caso da Albânia, num passado recente, focos de opinião insistindo em ver naquele regime fossilizado, autoritário e retrógrado uma espécie de farol para o futuro.
Para quem não compartilha desse fundamentalismo, entretanto, a questão mais importante é como se dará um processo de mudanças econômicas e políticas que Cuba, com toda evidência, não tem mais como adiar.
As parcas reformas empreendidas por Raúl Castro indicam a disposição da hierarquia cubana de impor o máximo de controle e de limites sobre o ritmo da distensão. É assim que a ditadura do PC chinês consegue sobrevida, após o colapso dos seus congêneres no resto do mundo.
Todavia, a aposta inspira ceticismo. Dificilmente se poderia aplicar à ilha caribenha modelo baseado nas múltiplas potencialidades econômicas, no imenso contingente populacional e na lentidão natural das estruturas políticas de um país com as dimensões da China.
Não se conhece, por outro lado, a extensão que possam ter os movimentos internos de contestação ao regime castrista. O boicote americano a Cuba teve, ao que tudo indica, o efeito de acentuar o orgulho nacional da população, sem dúvida explorado à saciedade pela propaganda oficial.
A estratégia americana provou-se inútil. Promover o isolamento comercial de um país autoritário quase nunca traz outro resultado que a diminuição do próprio dinamismo interno da sociedade, que, por falta de alternativas e diferenciação de interesses, regride a uma dependência cada vez maior do providencialismo de Estado.
A suspensão gradual do boicote, na pauta das cogitações de Barack Obama, deve ser passo importante na superação, que se espera rápida e pacífica, de um regime fracassado, inepto e brutal.


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