São Paulo, quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

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Após pressão, reitor sai de apartamento

Segundo Timothy Mulholland, local está reservado "exclusivamente para atividades de representação da universidade"

Ministério Público investiga reforma de R$ 470 mil, mas a UnB contesta os valores; alunos pedem que reitor se afaste temporariamente

FELIPE SELIGMAN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Com o objetivo de "preservar a instituição", o reitor da UnB (Universidade de Brasília), Timothy Mulholland, anunciou ontem sua "imediata desocupação" do apartamento funcional onde morava desde o ano passado, alegando sensibilidade "às preocupações da comunidade universitária".
O imóvel, localizado na cobertura de um edifício na Asa Norte de Brasília, é alvo de investigações pelo Ministério Público do Distrito Federal. Promotores dizem que a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos, entidade sem fins lucrativos de apoio à UnB, empregou muitos recursos para reformar o local.
A instituição, segundo o Ministério Público, teria gasto R$ 470 mil na compra de móveis luxuosos. A assessoria de imprensa da UnB, porém, afirma que o custo seria de R$ 350 mil.
Entre os gastos citados em ação contra dirigentes da Finatec, há a aquisição de três lixeiras (R$ 2.738), de equipamentos de TV e som (R$ 36.603), de "telas artísticas" (R$ 21.600) e 16 vasos com "plantas diversas" na cobertura (R$ 7.264).
Na semana passada, o Ministério Público do Distrito Federal pediu o ressarcimento do dinheiro gasto com a mobília. Como a UnB é uma entidade federal, porém, tal pedido teve de ser encaminhado ao Ministério Público Federal. Ontem à noite, a assessoria de imprensa do órgão não soube informar se já havia recebido o pedido.
"Determinei que o imóvel seja reservado exclusivamente para atividades de representação da universidade", afirma o reitor em nota divulgada no site da UnB. "Estou convencido de que o imóvel e toda sua estrutura montada continuarão servindo à UnB por décadas."
Já no que se refere a cartões, a UnB é a campeã de despesas entre as universidades. Só em 2007, registrou R$ 1,35 milhão, o que representa 36% do total despendido pelas instituições (R$ 3,7 milhões). A assessoria informou ontem que auditoria interna "não identificou irregularidades" no uso de cartões.
Se contabilizados os gastos entre 2004 e dezembro de 2007, a universidade gastou com os cartões R$ 3,4 milhões. O assistente de Mulholland, Wilde José Pereira, utilizou seu cartão para compras em padarias, supermercados e em uma loja de festas. Ele diz que os gastos referem-se à homenagens e encontros com ministros, parlamentares e embaixadores. Alunos da UnB pedem que Mulholland se afaste momentaneamente da reitoria.


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