São Paulo, terça-feira, 13 de setembro de 2005

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ESCÂNDALO DO "MENSALÃO"/ PT NO DIVÃ

Filósofa faz alusão a slogan usado na Guerra Civil Espanhola e afirma que partido é odiado por ter construído a democracia no país

Chaui vê ódio contra o PT e diz "no pasarán!"

CONRADO CORSALETTE
DA REPORTAGEM LOCAL

"No pasarán!" Com o slogan dos comunistas espanhóis que tentavam nos anos 30 barrar a escalada fascista, a filósofa Marilena Chaui encerrou sua fala ontem, no ato da anunciada "refundação do PT", do qual participaram dirigentes, intelectuais e representantes de movimentos sociais.
A fala de Chaui, aplaudida com entusiasmo pelas cerca de 300 pessoas que lotaram o auditório do Sindicato dos Engenheiros de São Paulo, no centro, sintetizou o clima de resgate de origens que marcou quase todo o encontro.
"Essa alegria imensa que eu sinto aqui é porque nos últimos meses eu me perguntei o que foi que nós fizemos para sermos tão odiados", disse a filósofa ligada ao PT. "Nunca em toda minha vida presenciei um ódio igual a esse. E sei hoje por quê: é porque nós fomos o principal construtor da democracia nesse país. E nós não seremos perdoados por isso nunca".
Chaui lembrou que o PT foi criado sobre "duas idéias socialistas, a idéia da igualdade econômico-social e a idéia da Justiça". "E foram essas duas idéias que definiram nosso conceito democrático de cidadania. A democracia no PT não faria nenhum sentido se os fundamentos dela não fossem duas idéias socialistas. Isso é nosso patrimônio, e por ele eu direi apaixonadamente: No pasarán!"
Com sua intervenção, a filósofa quebrou seu "silêncio", justificado pelo fato de que, até o momento, nada tinha a acrescentar além daquilo que já fora escrito sobre os rumos da esquerda pelo economista Paul Singer. Além das manifestações de orgulho, a autocrítica também esteve presente. Singer, outro fundador do PT e um dos mentores do encontro, não poupou críticas aos rumos tomados pelo partido, que segundo ele se especializou em ganhar eleições nem que para isso fossem necessárias práticas "delinqüentes".
Estavam ali, no auditório, além de Paul Singer, dezenas de outros fundadores do partido, como Paulo Skromov e Zilah Abramo. Dividiam espaço com novas lideranças, como o vereador Paulo Teixeira (PT). Políticos ligados ao ex-ministro José Dirceu (PT-SP) e ao Campo Majoritário, grupo que comanda a sigla, eram minoria.
Era o encontro do PT do "caixa 1". A expressão foi usada pelo presidente interino do partido, Tarso Genro, ao passar um saco plástico no qual pretendia "levantar fundos" para pagar o aluguel do auditório. Os R$ 358 arrecadados, porém, não precisaram ser usados, já que integrantes do sindicato do engenheiros decidiram, durante o encontro, ceder o espaço gratuitamente. "[O dinheiro] fica com o Paulo Singer. Que não fuja para a Suíça!", disse Tarso, brincando. Além dos 300 participantes, outros 5.000 petistas acompanharam o ato pela internet.
Os discursos emocionados vieram acompanhados de poesia declamada por Pedro Tierra -codinome de Hamilton Pereira, presidente do Instituto Cidadania-, citações ao cantor Chico Buarque e idéias como uma nova campanha de filiação para quem esteja "disposto a lutar" pelos ideais petistas. Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, José Lopes Feijoó, anunciou, ali, que, por conta da crise, iria se filiar ao PT.
O único candidato à presidência do partido presente no encontro era Raul Pont, da Democracia Socialista. O deputado Ricardo Berzoini (SP-SP), do Campo Majoritário, enviou uma mensagem.


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