São Paulo, quarta-feira, 15 de setembro de 2004

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Presidente elogia 1 mandato de FHC

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Evitando falar em trocas partidárias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu apoio em jantar anteontem a sete senadores de siglas de oposição por não ter "base confortável" na Casa. Ele criticou ainda o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e a reeleição, defendendo mandato maior ("cinco ou seis anos").
Lula disse que a motivação de FHC para fazer o governo de transição, elogiado como mostra de amadurecimento da democracia, foi pessoal, e não o interesse do país. "É muito comum quando a oposição ganha entrar achincalhando, fazendo uma devassa. O Fernando Henrique fez a transição na expectativa de ser respeitado na saída dele. Foi mais em razão disso do que de qualquer outra coisa. Da nossa parte, não houve achincalhe, e mantivemos grande parte da equipe dele", declarou, segundo relatos, ressaltando que não tem mágoa de FHC.
Ele ainda teria feito avaliação negativa da reeleição do ex-presidente. "O governo FHC foi bom no primeiro mandato, mas o processo de reeleição foi muito ruim, tanto para ele quanto para o governo." Lula foi questionado sobre sua própria reeleição, já articulada pelo ministro José Dirceu (Casa Civil). "Uma reeleição só se justifica para completar um projeto, quando um segundo governo vem como complemento de um primeiro. Particularmente, prefiro um mandato de cinco ou seis anos, seria mais saudável."
Lula chegou para o jantar, na casa de Dirceu, às 20h40 e sentou-se entre os senadores Antonio Carlos Magalhães (BA) e Roseana Sarney (MA). Do PFL, além dos dois, foram Edison Lobão (MA), João Ribeiro (TO), César Borges (BA) e Rodolpho Tourinho (BA). Do PSDB, Siqueira Campos (TO), o mais falante da noite. Chegou a dizer que todos ali estavam à disposição para ajudar na reeleição de Lula. Houve constrangimento, pois o presidente respondeu dizendo que é necessário esperar.
Lula mostrou-se preocupado com a repercussão do encontro e afirmou que não está empenhado em estimular rachas partidários. Ainda na tentativa de aumentar sua base de apoio no Senado, o presidente disse que vai chamar Tasso Jereissati (PSDB-CE) para conversar. Moderado, o tucano era canal de interlocução entre o governo e seu partido, mas aumentou as críticas nos últimos meses após conflitos com o PT.
Roseana rebateu as críticas feitas pela direção do PFL ao encontro, inclusive com início de processo de expulsão contra ACM. "Quando o presidente convida, é bom aceitar, porque ele é o chefe da nação", disse a senadora, filha do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). (FK)


Colaborou FERNANDO RODRIGUES, da Sucursal de Brasília

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