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São Paulo, quinta-feira, 18 de dezembro de 2003

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Juíza manda afastar delegado e agente federal

DA REPORTAGEM LOCAL

A Justiça Federal determinou ontem o afastamento de suas funções do delegado da Polícia Federal Alexandre Morato Crenitte e do agente César Herman Rodriguez e autorizou a quebra do sigilo bancário da dupla.
Eles são acusados pelo Ministério Público Federal de beneficiar o empresário Ari Natalino da Silva, dono da distribuidora Petroforte acusado de fraudar combustíveis.
Crenitte deixou as investigações sobre a Petroforte em março, foi transferido para a Corregedoria da PF em São Paulo, órgão encarregado de apurar irregularidades, e em setembro teve a sua prisão temporária decretada; desde então, está de licença.
Rodriguez trabalhava no Fórum Criminal Federal com o juiz João Carlos da Rocha Mattos e está preso desde o dia 30 de outubro pela Operação Anaconda sob acusação de integrar uma quadrilha que vendia sentenças, segundo a Polícia Federal.
A juíza Tânia Regina Marangoni Zauhy, da 16 Vara Federal Cível, acatou um pedido de liminar do Ministério Público Federal que estabelece o afastamento do cargo do delegado e do agente e a responsabilização dos dois por atos de improbidade administrativa.
A Justiça também determinou a quebra de sigilo do dono da Petroforte, de sua mulher, Débora Aparecida da Silva, e do advogado Wellington Carlos de Campos.

Sigilo revelado
Gravações feitas em fevereiro e março deste ano mostram que Natalino da Silva e Débora ofereceram R$ 500 mil ao delegado Crenitte pelo "trabalho".
O "trabalho" seria manter o empresário internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, quando fosse cumprido o mandado de prisão contra ele, o que de fato ocorreu em fevereiro. O empresário tem leucemia.
Crenitte também revelou ao advogado de Natalino da Silva o teor de mandado de busca e apreensão na casa de Maria Aparecida Tessuto, ex-mulher do empresário. Os promotores dizem que o conhecimento do mandado permitiu a retirada de documentos importantes da casa.
Crenitte também teria revelado ao advogado do empresário, em março deste ano, informações sigilosas sobre a investigação que o Ministério Público Federal e a PF realizavam sobre a Barcelona Tour, casa de câmbio de Antonio Oliveira Claramunt acusada de lavagem de dinheiro.
Rodriguez, segundo as gravações, agiu como intermediário para que a ordem de prisão de Maria Aparecida fosse enviada por fax ao advogado do empresário. Crenitte é acusado de atrasar o cumprimento de mandado da Justiça Federal contra Natalino da Silva, o que teria facilitado a sua fuga. Maria Aparecida está presa.
O advogado de Rodriguez, Hermínio Alberto Marques Porto Jr., não quis comentar a decisão por desconhecer a ação.
Em um inquérito feito pela PF, o agente declarou em setembro que o advogado de Natalino da Silva procurou-o porque o empresário sabia da possibilidade de ser preso e queria entrar em contato com o procurador e o juiz do caso para expor seu problema de saúde.
Rodriguez disse ter atendido o advogado porque houve um pedido de Cícero Viana, dono de uma rede de revenda da Chevrolet, a Itororó, e sócio do agente na construção de um prédio na avenida Angélica, em São Paulo.
A reportagem da Folha tentou falar com Crenitte em Santos, onde ele mora, mas foi informada que ele voltaria apenas hoje.


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