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São Paulo, sexta-feira, 29 de agosto de 2003

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CASO CC-5

Polícia dos EUA deve rastrear bens de brasileiros no país

Parlamentares da CPI do Banestado conseguem a colaboração do FBI

ROBERTO DIAS
DE NOVA YORK

Senadores e deputados da CPI mista do Banestado acertaram a colaboração do FBI (a polícia federal americana) na investigação.
Em uma reunião no escritório nova-iorquino do FBI, comprometeram-se a mandar à polícia americana 170 nomes de brasileiros que têm imóveis nos EUA e que não os incluíram em suas declarações de Imposto de Renda.
A idéia é que o FBI ajude a rastrear outros imóveis que essas pessoas podem ter comprado no país. A partir disso, autoridades brasileiras poderiam pedir o bloqueio da propriedade dos bens -cuja posse, nessas condições, é indicativa de crime tributário.
Esses 170 nomes fazem parte de um grupo de mais de 600 pessoas físicas e jurídicas brasileiras que detêm imóveis nos EUA, segundo o que apurou a Receita Federal. Só o primeiro grupo, porém, está em situação irregular com a Receita. Alguns dos imóveis valem mais que US$ 1 milhão.
Para mandar os nomes aos EUA, o presidente da CPI, o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), precisa de uma autorização da comissão. "Será dada", diz ele. "Vamos encaminhar para que o FBI faça um rastreamento. Muito provavelmente há mais imóveis do que aqueles que a Receita Federal detectou."
Paes de Barros diz ainda que o FBI deverá colaborar também nas investigações sobre o dinheiro que passou pela agência do Banestado em Nova York, o foco da CPI. Ontem, ele tratou do tema também com funcionários do banco Itaú, que assumiu o controle do Banestado.
"Eles disponibilizaram para nós 168 novas contas do Banestado. Estamos checando a movimentação", afirma o senador.
Após dois dias de reuniões em Nova York, os integrantes da CPI retornam hoje ao Brasil.
Um dos desafios será remeter ao país os documentos que obtiveram nos EUA. As informações que receberam do Itaú estão em seis caixas; as que conseguiram na Procuradoria de Nova York anteontem estão em 270.
A CPI vai deixar técnicos em Nova York para que trabalhem na remessa de documentos ao Brasil. A princípio, ficarão por uma semana, mas Paes de Barros já fala na possibilidade de fazer revezamento dos técnicos de acordo com a necessidade da CPI.


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