São Paulo, sábado, 05 de maio de 2007

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Assassino de Liana afirma à polícia que fuga foi "fácil"

Recapturado na última quarta-feira, rapaz negou que tenha recebido ajuda de funcionários para escapar do complexo

Em depoimento, jovem chegou a menosprezar a segurança da Febem; investigação aponta para indícios de negligência

KLEBER TOMAZ
GILMAR PENTEADO
DA REPORTAGEM LOCAL

O assassino do casal de namorados Liana Friedenbach, 16, e Felipe Caffé, 19, afirmou, em depoimento à polícia, que foi "fácil" e "tranqüilo" fugir do complexo da Fundação Casa -ex-Febem- na Vila Maria (zona norte de São Paulo) na última quarta-feira. O complexo era apontado como o mais seguro da fundação.
Segundo a polícia, o jovem chegou a menosprezar o sistema de segurança da fundação. "Eu vi a escada e subi", narrou.
O rapaz, hoje com 20 anos, usou uma escada deixada por empregados que reformavam o local para pular o muro de seis metros da Unidade Tietê juntamente com outro jovem.
A investigação policial aponta até agora indícios de negligência de funcionários. A possibilidade de facilitação de fuga continua sendo apurada pela polícia e pela fundação, que afastou o diretor e 19 agentes. O assassino de Liana e o outro jovem foram recapturados em Ferraz de Vasconcelos (Grande São Paulo), anteontem, 8 horas e 25 minutos após fugirem.
No depoimento que prestou à polícia na UAI (Unidade de Atendimento Inicial) da Fundação Casa, o interno negou que teve ajuda de funcionários para escapar. O rapaz comentou que ele e o colega aproveitaram o descuido do único vigia no local -que cuidava de três internos - quando este foi ler uma carta de um outro jovem.
Para a polícia, a versão de que havia roupas do lado de fora da unidade à espera dos fugitivos, como disse a Fundação Casa -reforçando a tese de fuga premeditada-, perdeu força.
Quinze pessoas já foram ouvidas pela pela 1 Delegacia Seccional Centro. Nenhum depoimento sugere ter havido conivência dos funcionários.
Anteontem, o juiz Trazíbulo José Ferreira da Silva, do Departamento de Execuções da Infância e Juventude, negou pedido do governo de transferência do jovem para o Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico de Taubaté (130 km de SP) -um presídio comum.
Segundo Silva, o jovem não completou 21 anos e ainda está sob a responsabilidade da Justiça da Infância e da Juventude e do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).
O crime foi cometido quando ele tinha 16 anos. Ele está interditado judicialmente -sob responsabilidade do Estado por representar risco à sociedade- desde o ano passado.
O governo deve recorrer ao Tribunal de Justiça no começo da próxima semana para tentar anular a decisão de Silva. Segundo o secretário de Estado da Justiça, Luiz Antonio Marrey, o jovem já cumpriu os três anos de internação previstos no ECA e não é mais responsabilidade da Fundação Casa.
O jovem foi transferido para uma unidade de saúde da fundação inaugurada em dezembro, que permanecia desocupada -é o único interno na unidade feita para 40 infratores.
A Folha não identifica o assassino de Liana em cumprimento ao ECA. Segundo o estatuto, notícias sobre ato infracional cometido por adolescente não poderão identificá-lo, vedando fotografia, referência a nome ou apelido, inclusive iniciais (artigo 143). A lei determina que deve ser considerada a idade do infrator à data do crime (artigo 104).


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