São Paulo, quarta-feira, 24 de novembro de 2010

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GILBERTO DIMENSTEIN

Bike Anjo


Um grupo de amigos ajuda voluntariamente quem quer andar de bicicleta por SP correndo menos riscos


CADA VEZ MAIS os congestionamentos da região que circunda a avenida Luís Carlos Berrini estão começando dentro dos estacionamentos, e não na rua. Quanto mais a economia vai crescendo e o número de escritórios vai aumentando, mais desolador o quadro parece ficar.
João Paulo Amaral, de 24 anos, ciclista e especialista em gestão ambiental, faz parte de um grupo que se dispôs a tentar "salvar" a Berrini. Suas roupas e seus hábitos são muito diferentes daqueles próprios dos ambientes estressantes do mundo dos negócios, em que só se veem executivos engravatados, cenário típico dos prédios locais.
Amaral quer, pelo menos, evitar o colapso da região. "Boa parte da solução depende menos de dinheiro do que da vontade de mudar."
Neste mês, diversas associações empresariais e a Prefeitura de São Paulo, bem como executivos, construtoras, ecologistas, ciclistas e especialistas em trânsito, formaram um grupo batizado de "Pegada Berrini", cujo objetivo é encontrar soluções para o congestionamento e para a poluição. A ideia é tentar aplicar uma espécie de "choque de mobilidade". "O que se fizer ali poderá servir para toda a cidade."
Formado pela USP em gestão ambiental, João Paulo não apenas faz da bicicleta seu principal meio de transporte pela cidade como participa de um grupo que se intitula "Bike Anjo". Trata-se de um grupo de amigos que, voluntariamente, ajudam pessoas que querem aprender a andar de bicicleta por São Paulo correndo menos riscos.
Com a formação em gestão ambiental e o olhar de ciclista urbano, João Paulo foi chamado para ser um dos consultores da Pegada Berrini. Sua tarefa é mostrar como os planos da Prefeitura de São Paulo para a região, especialmente os da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, deveriam estar coordenados com as ações locais.
As ideias vão do compartilhamento de carro e do uso de vans comunitárias até um plano inteligente de estacionamentos. "Podemos pensar em estacionamentos distantes da região, com serviços de vans comunitárias. Desse jeito, o fluxo de automóveis seria menos intenso." Uma das ideias, é claro, é estimular os funcionários a usar a bicicleta.
A engenharia de mobilidade é complexa. Pretende-se que uma associação coordene várias empresas da região, numa espécie de "mutirão de mobilidade". Isso significa conceder prêmios a funcionários que deixarem o carro em casa. O banco Santander, por exemplo, já usa o esquema de compartilhamento de carros. "Queremos que as empresas, usando tecnologias de comunicação, consigam se comunicar. Assim, mais carros poderão ser compartilhados e o serviço de vans poderá ser ampliado."
João Paulo sente-se o próprio exemplo de mobilidade. Sempre que pode, evita até mesmo andar de transporte coletivo. Tomou a decisão de vender o próprio carro e gosta de acrescentar que a venda teve um efeito maior do que o esperado: a cidade de São Paulo hoje tem um poluidor a menos, pois o carro foi vendido para um morador do interior de Minas Gerais.

gdimen@uol.com.br


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