São Paulo, domingo, 02 de maio de 2004

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Cardeal pede mais empenho do governo

CÍNTIA CARDOSO
DA REPORTAGEM LOCAL

O cardeal-arcebispo metropolitano de São Paulo, Dom Cláudio Hummes, pediu mais empenho do governo para diminuir o desemprego e criticou ontem alguns pontos da política econômica do governo Lula durante a missa do trabalhador, na catedral da Sé, em São Paulo.
"Sabemos que o desemprego é também resultante de uma estrutura mundial interdependente. Mas é preciso fazer o dever de casa. Não podemos apenas culpar o neoliberalismo internacional e a globalização pelos nosso problemas", declarou ontem.
Durante o sermão, Dom Cláudio afirmou que "nós sabemos que uma taxa de juros mais baixa e o apoio para os microempresários e para a reforma agrária podem criar mais empregos".
Após a celebração da missa, Dom Cláudio Hummes subiu ao palanque montado pelos movimentos da corrente de esquerda da CUT (Central Única dos Trabalhadores) na praça da Sé e adotou um tom mais conciliatório. "Sei que o Lula está angustiado e precisa da força do povo", disse para um público de aproximadamente 1.200 pessoas, segundo estimativa da PM.
Ao lado de Dom Cláudio Hummes no palco estavam Dirceu Travesso, da executiva nacional da CUT, José Maria de Almeida, do PSTU, e os deputados que foram expulsos do PT Babá (PA) e Luciana Genro (RS).
O ato organizado pelos movimentos de esquerda da CUT, PSTU e PCO (Partido da Causa Operária) teve como tônica a crítica ao governo, sobretudo ao aumento do salário mínimo. Farpas também foram dirigidas para as festas organizadas pela própria CUT e pela Força Sindical.
"A CUT está transformando o 1 de Maio, símbolo da luta contra o capitalismo, numa festa patrocinada pelos opressores do trabalhador. Isso compromete a independência da nossa central", disse Zé Maria, do PSTU.
Após os discursos na praça da Sé, os manifestantes fizeram uma passeata pelas ruas do centro de São Paulo. Segundo os organizadores, o ato custou R$ 10 mil.


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