São Paulo, quarta, 5 de agosto de 1998

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Consumidor terá mais prazo para pagar carro

ARTHUR PEREIRA FILHO
da Reportagem Local

Os bancos ligados às montadoras vão oferecer crédito com prazos mais longos e entradas menores para facilitar a compra dos carros estocados. Os novos planos devem ser divulgados nos próximos dias e vão acirrar a concorrência entre as marcas.
Marcos Vinicius Moya, presidente da Anef (associação dos bancos das montadoras), diz que os bancos adotarão diferentes estratégias. "Quem que já oferece planos com entrada de 10%, por exemplo, terá pouco espaço para reduzir ainda mais esse valor."
Moya prevê lançamento de linhas de financiamento com prazos de até 42 meses -hoje a maior parte dos carros é financiada em 36 meses- e a adoção da prestação-balão (parcelas intermediárias maiores, cobradas no recebimento do 13 salário, por exemplo), que permite reduzir o valor das parcelas.
Os bancos vão flexibilizar o crédito, mas não querem correr o risco de um novo aumento da inadimplência, explica Moya.
O calote no segundo trimestre deste ano atingiu 66 mil clientes, ou seja, 6,8% de todos os que tiveram acesso a financiamento.
Apesar de representar queda de 15,1% em relação ao trimestre anterior, Moya avalia que o nível atual de inadimplência ainda é "preocupante e fora do normal". A meta é reduzir o índice para 5% até o final do ano.
O crédito ficará mais flexível, mas o consumidor não deve contar com taxas subsidiadas, que chegaram este ano a 0,5% ao mês.
Os bancos pretendem operar com taxa média em torno de 2,7% a partir deste mês, semelhante à praticada antes da crise asiática. Taxas menores serão oferecidas apenas em períodos limitados, para promoção de alguns modelos.
A venda financiada de carros pelos bancos das montadoras, que detêm entre 70% e 80% do mercado, cresceu 35,4% no segundo trimestre deste ano, na comparação com igual período de 97.
Os bancos utilizaram R$ 1,6 bilhão para financiar 176 mil veículos pelo sistema de leasing e crédito direto ao consumidor entre abril e junho. O financiamento representa 52% das vendas. O consórcio tem 18% do mercado, e as vendas à vista 30%.



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