São Paulo, sexta-feira, 10 de outubro de 2008

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Argentina teme efeitos do real desvalorizado

ADRIANA KÜCHLER
DE BUENOS AIRES

A crise internacional pode abalar mais uma vez a paz nas relações comerciais entre Brasil e Argentina, após os desentendimentos na Rodada Doha da OMC. No país vizinho, acreditam que a desvalorização do real, ocasionada pela crise, provocará duas invasões: de produtos brasileiros na Argentina e de turistas argentinos no Brasil.
Empresários temem que o real desvalorizado e a queda na demanda de produtos brasileiros pelos EUA e pela Europa aumentem ainda mais o superávit comercial do Brasil na relação bilateral.
""É um perigo real e, mesmo que não possamos supor que todas as exportações que iriam para os EUA venham para a Argentina, temos que estar preparados", disse o presidente da União Industrial Argentina, Juan Carlos Lascurain, à imprensa local.
Lascurain afirmou que o governo deve adotar medidas para proteger a indústria local de uma possível invasão brasileira. Apesar de formalmente os dois países afirmarem que sua maior preocupação é uma possível invasão de produtos asiáticos, o governo argentino já estaria estudando aplicar o mecanismo de adaptação competitiva, assinado com o Brasil.
O convênio permite frear importações no âmbito do Mercosul se há ameaça de dano a um setor produtivo.

Invasão argentina
Como resposta à possível invasão de produtos brasileiros, a desvalorização do real também pode provocar uma nova invasão de argentinos nas praias brasileiras.
"O Brasil havia se tornado um destino muito caro e volta a ser uma opção apetecedora para os argentinos", disse o presidente da Associação Argentina de Agências de Viagens e Turismo, Ricardo Roza, ao jornal "La Nación".
Empresários do setor já discutem medidas para evitar um êxodo nas praias argentinas no verão como o que aconteceu em 1999, com a desvalorização do real.
Como medida de proteção, o chanceler argentino, Jorge Taiana, sugeriu reunião do Conselho do Mercado Comum, que reúne ministros de Economia e chanceleres do Mercosul. No entanto, a reunião deve ser convocada pelo Brasil, que têm a presidência pro tempore do bloco.


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