São Paulo, sábado, 16 de julho de 2005

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TÊNIS

Ricardo Mello crava três "pneus", Gustavo Kuerten vence por 3 sets a 0 e país pode eliminar Antilhas Holandesas hoje

Brasil faz obrigação e massacra na Davis

TATIANA CUNHA
ENVIADA ESPECIAL A JOINVILLE

A equipe brasileira fez exatamente o que se esperava dela. Massacrou os jogadores das Antilhas Holandesas nos dois jogos de simples que abriram o confronto, e agora espera garantir hoje, no jogo de duplas, uma vaga na final do Grupo 2 Americano da Davis.
O primeiro a entrar em quadra foi Ricardo Mello, o mais inexperiente na competição entre os atletas brasileiros, que impôs três pneus (6/0) em David Josepa.
Logo depois foi a vez de Gustavo Kuerten vencer Alexander Blom por 6/1, 6/3 e 6/2.
Pela primeira vez desde que foi alçado ao Grupo Mundial da Davis, em 1981, um jogador brasileiro não permitiu que seu rival marcasse um ponto sequer.
"Não esperava que a partida fosse tão tranqüila assim. Como este era meu primeiro jogo no Brasil, eu entrei em quadra um pouco nervoso, mas estava muito focado", disse Mello, 24.
Como já era esperado, o tenista de Campinas passeou em quadra. Josepa ainda deu um susto inicial, marcando 30-0 no primeiro game, mas logo na seqüência cometeu duas duplas-faltas. "Ele até começou bem, mas fez uns erros bobos, e eu aproveitei para me distanciar no placar", afirmou.
Atendendo a pedidos do capitão, Fernando Meligeni, Mello não fez brincadeiras durante a partida -que durou uma hora e 20 minutos-, já que nenhum dos antilhanos é ranqueado.
"Foi a única coisa que eu pedi. Que ele tivesse respeito pelo garoto que estava ali tentando fazer o seu melhor", disse Meligeni.
O rival não ofereceu resistência, mas pegou Mello no melhor momento de sua carreira. No 51 lugar no ranking da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais) -melhor marca alcançada por ele-, é o brasileiro mais bem ranqueado hoje. Como recompensa, foi premiado com o posto de número um da equipe. E, pelo menos ontem, correspondeu à responsabilidade nele confiada.
Mas a partida mais aguardada do dia era mesmo a de Guga. Não só por ser seu retorno ao time da Davis após boicote à administração de Nelson Nastás na presidência de Confederação Brasileira de Tênis e a segunda cirurgia no quadril mas também para saber quais são suas condições de jogo, depois de mais de um mês de dedicação exclusiva a treinos -ele não jogava desde maio.
Apesar de se dizer pronto para jogos em melhor de cinco sets, Guga se surpreendeu com o cansaço após pouco mais de uma hora e 40 minutos de partida. "Achei que, pelo que vinha treinando, eu me sentiria melhor, mas acho que no jogo tem também o nervosismo, que atrapalha um pouco."
O tenista também festejou o fato de pegar um rival fraco em sua volta à Davis. "Para mim, foi bom porque posso usar esses jogos como preparação. É melhor atuar contra eles do que enfrentar um jogo do circuito", disse Guga, que atuou ontem pela oitava vez no ano, só pela segunda vez em melhor de cinco sets -foi sua terceira vitória. "Voltar a jogar a Davis é bom para manter a motivação, independentemente do rival."
Hoje, André Sá e Flávio Saretta enfrentam Raoul Behr e Bloom na partida que pode dar a vitória ao Brasil, a partir das 13h.


NA TV - Sportv, ao vivo, a partir das 13h

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