São Paulo, quinta-feira, 26 de janeiro de 2006

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BASQUETE

Confederação terá que incluir seis clubes da Nossa Liga na competição masculina, que pode ter entre 19 e 24 equipes

CBB perde e engole rebeldes em Nacional

ADALBERTO LEISTER FILHO
DA REPORTAGEM LOCAL

Os clubes da Nossa Liga venceram mais um round na busca por vaga no Nacional masculino administrado pela CBB (Confederação Brasileira de Basquete).
Ontem, a juíza Maria Luiza Niederauer, da 46 Vara Cível do Rio, confirmou liminar que obriga a CBB a incluir, em 48 horas, Araraquara, Casa Branca, Limeira, Rio de Janeiro, São José dos Pinhais e Ulbra-Mogi no campeonato.
Caso as equipes continuem fora da competição, a entidade será obrigada a pagar multa diária de R$ 100 mil. Esse valor é o dobro do que havia sido estipulado na primeira liminar, concedida pela mesma juíza, no mês passado.
Sem contar mais com recursos até o julgamento do processo, Gerasime Bozikis, o Grego, presidente da CBB, irá acatar a decisão.
"A confederação já foi notificada pela Justiça. Conversei com o Grego e amanhã [hoje] ele irá cumprir [a liminar]. Mas ainda não sabemos quem vai querer entrar no Nacional", diz João Carlos Ferreira, advogado da entidade.
De fato, a maioria dos signatários do pedido não tem a intenção de participar da disputa. A Folha apurou que o único interessado no evento é o Rio, cujo diretor é Oscar, maior opositor da CBB.
"Não queremos jogar o Nacional. Mas a decisão tem que ser nossa. A Ulbra é campeã gaúcha e tem direito à vaga", afirma Enrique Barrera, dirigente da Ulbra.
No pedido à Justiça, os clubes alegaram critérios técnicos para assegurar presença no Nacional.
A CBB, por sua vez, afirmava que as equipes não se inscreveram no prazo e não obedeciam a um dos itens do regulamento, que as impedia de disputar "campeonato similar", no caso, a Nossa Liga, torneio criado pelos clubes, que concorre com o Nacional.
Vencida a etapa na Justiça, resta definir com quantos times ficará o torneio da CBB. O Nacional, iniciado em 11 de dezembro com 18 equipes, poderia ficar com até a 24 clubes, mas o provável mesmo é que inclua só uma agremiação -o Rio- e feche as contas em 19.
Não bastasse isso, a decisão da Justiça não encerra o imbróglio que se tornou o basquete do país. Pode ser só mais um capítulo das pendengas entre Grego e Oscar.
A equipe carioca quer participar do Nacional para garantir direito de ser um dos representantes do país na Liga Sul-Americana, principal torneio de clubes da região. A disputa interessa à Telemar, uma das patrocinadoras do time.
O problema é que a CBB já indicou Uberlândia, Ribeirão Preto e Brasília na Liga Sul-Americana, cujas inscrições estão encerradas.
Se incluir o Rio, campeão do Nacional-05, teria que tirar da liga o Brasília, quarto colocado do último Brasileiro. A dificuldade de retirar a equipe do DF é que ela já foi indicada para ser sede de um dos grupos da primeira fase.
Com isso, resta à confederação arrumar mais uma vaga para o país na liga. Ou enfrentar o desgaste de nova batalha jurídica.


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