São Paulo, domingo, 7 de junho de 1998

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Militância de frades esvaziou igreja

da Redação

Não foram só os religiosos envolvidos com a ALN que sofreram consequências na vida pública. Os que não se envolveram também tiveram problemas.
Houve casos de religiosos que foram pressionados pela sociedade ou pelo Exército por seguirem uma tendência mais progressista na igreja.
O arcebispo de João Pessoa (PB), d. Marcelo Pinto Carvalheira, chegou a ser preso, acusado de participar do grupo de frei Betto. Ele diz, no entanto, que teve apenas alguns contatos com o dominicano.
D. Marcelo ficou 51 dias presos, foi libertado, mas levou o estigma de "subversivo".
Em 72, foi nomeado bispo de uma cidade do Nordeste -que ele não revela o nome-, mas devido ao seu passado, o Exército local e um grupo de fiéis não permitiram que assumisse. "Fizeram pressão contra mim. Me chamaram de comunista, subversivo. Para não causar mais problemas, acabei decidindo não assumir o cargo."
Três anos depois, ele finalmente assumiu sem problemas o arcebispado de outra cidade, Guarapira (PB).
Frei Sérgio Calixto Valverde se ordenou em dezembro em 69, época em que o Convento dos Dominicanos em São Paulo começou a sofrer um "esvaziamento". Só em 75, por exemplo, voltou a ter ordenações.
"O fato de haver dominicanos presos, acusados de subversão, espantou os fiéis e os futuros candidatos a frades. Falavam que nós éramos traidores. Os pais não queriam ver seus filhos se ordenando com "terroristas'", afirma frei Sérgio.
Um exemplo desse isolamento foi a própria igreja São Domingos, no bairro de Perdizes, em São Paulo. O local vivia lotado nas missas de domingo. "Após as prisões, chegamos a celebrar missa para um fiel ou dois", conta. (LE)



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