São Paulo, segunda-feira, 19 de agosto de 2002

Texto Anterior | Próximo Texto | Índice

Restaurado, Theatro da Paz tem uma programação intensa

EM BELÉM

Um dos primeiros grandes teatros líricos do Brasil, inaugurado em 1878, antes do Municipal do Rio de Janeiro, o Theatro da Paz foi reinaugurado em abril deste ano após dois anos de um meticuloso trabalho de restauração.
Símbolo da modernidade e cosmopolitismo da capital do Pará na época áurea da borracha, o teatro marcou sua reabertura com o 1 Festival de Ópera do Theatro da Paz, com atrações nacionais e internacionais, como a ópera "Macbeth", de Verdi, regida pelo maestro inglês Patrick Shelley. Ainda hoje é uma das salas de espetáculo com melhor acústica do país.
Desde a sua reinauguração, o teatro apresenta uma programação intensa, então é bom ficar de olho quando for a Belém. No próximo sábado, há o 5 Encontro de Violoncelos e, entre os dias 26 e 31, o 3 Concurso Internacional de Canto Lírico Bidu Sayão.
Além da restauração, o teatro ganhou dois pianos novos: um Yamaha Grand Konzert e um Steinway. O palco tornou-se desmontável para atender aos diferentes tipos de espetáculo.
Considerado um dos mais bonitos do país, o Theatro da Paz mistura o estilo neoclássico com elementos amazônicos. O piso do hall de entrada é de pedras portuguesas, com desenhos marajoaras. O lustre é francês.
Há estátuas de ferro inglesas, escadas de mármore italiano, lustres de cristal e piso em acapu e pau-amarelo (madeiras do Pará).
No teto da sala de espetáculo, há uma pintura do italiano Domenico de Angelis, que mostra uma viagem do deus Apolo à Amazônia, as musas e a deusa Diana, a caçadora, como uma índia, apontando a flecha para uma onça.
No centro há um lustre americano, de bronze, que pesa uma tonelada. A pintura de boca do palco, criada em 1890, é uma alegoria à República, feita no ateliê do francês Carpezat, em Paris.
O teatro recebeu em seu palco grandes nomes, como o maestro Carlos Gomes, que em 1882 lá regeu a sua ópera "O Guarani" e, em 1895, foi morar na capital paraense, onde morreu.
A cidade era parada obrigatória para as companhias internacionais que visitavam o Brasil. Apresentaram-se no Theatro da Paz as bailarinas russas Anna Pavlova e Tamara Toumanova, a cantora lírica Bidu Sayão, a pianista Guiomar Novaes Pinto, além de músicos e compositores paraenses, como Waldemar Henrique, Altino Pimenta, Wilson Fonseca e Raymundo de Araújo Pinheiro. (AP)



Theatro da Paz - R. da Paz, s/n, tels. 0/ xx/91/224-7355 e 224-7201.



Texto Anterior: Ciclo das drogas deixou palacetes
Próximo Texto: Cerâmica de 4.000 anos ainda inspira artesãos de Icoaraci
Índice


Copyright Empresa Folha da Manhã S/A. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folhapress.