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Recordista de medalhas no Rio leva prata em decisão no photo finish na maratona

A última prova da Paraolímpiada foi decidida de forma dramática na tarde deste domingo (18). A vencedora teve que ser apontada com o auxílio da tecnologia.

A chinesa Lihong Zou e a russa naturalizada norte-americana Tatyana McFadden concluíram, de cadeira de rodas, a maratona com o tempo idêntico 1h38min44s na orla de Copacabana.

Mas, após a consulta do photo finish, os organizadores da prova deram a vitória para a chinesa.

Thomas Lovelock/OIS via Associated Press
In this photo provided by the IOC, gold medal winner Lihong Zou, of China, celebrates ahead of silver medalist Tatyana McFadden, of the United States, left, in the women's T54 Marathon at Fort Copacabana in Rio de Janiero, Brazil, Sunday, Sept. 18, 2016. (Thomas Lovelock/OIS, IOC via AP) ORG XMIT: NY167
Medalhista de ouro, Lihong Zou, da China, comemora ao lado de Tatyana McFadden, que ficou com a prata da maratona T54

A decisão foi baseada em milhares de imagens que são feitas por câmeras instaladas na linha de chegada. Nesta categoria, vale o momento em que a roda dianteira da cadeira cruza o final da prova.

Embora Tatyana tenha ficado com a prata, ela e a chinesa estabeleceram o novo recorde paraolímpico da distância.

"Foi incrível tudo que aconteceu aqui nos últimos dias", afirmou a norte-americana, a a maior vencedora do atletismo na Paraolimpíada do Rio.

Ela terminou o evento com seis medalhas (quatro de ouro e duas de prata). Tatyana venceu provas distintas (5.000m, 1.500m e 400m, 800m), além da prata nos 100m e na maratona.

A prova mais longa do atletismo (42,125km) foi disputada num circuito montado na orla de Copacabana. O sol castigou os para-atletas. A temperatura era de 30 ºC.

Em quatro edições da Paraolimpíada de verão, ela coleciona 16 medalhas. A russa obteve também um pódio nos Jogos de Inverno.

A para-atleta de 27 anos nasceu com a espinha bífida, quando a coluna vertebral não se fecha por completo, e foi deixada com paralisia nas pernas pelo familiares em um orfanato em São Petersburgo, na Rússia.

Lá, ela aprendeu a se locomover com os braços e só foi sentar numa cadeiras de rodas aos seis anos após ser adotada pelo norte-americana Debbie McFadden. A mãe adotiva de Tatyana ajudou a escrever nos anos 90 a legislação marco nos EUA que proíbe a discriminação com base na deficiência.

Neste domingo (18), em Copacabana, Debbie se confundiu e interrompeu a entrevista de Tatyana para anunciar que a filha dividiria o ouro com a chinesa.

A notícia deixou Tatyana "chocada". Três minutos depois, a vitória da chinesa foi confirmada pelos organizadores. A norte-americana não se abalou.

"O importante é que a minha campanha foi excelente. Vou treinar para voltar mais forte nos Jogos de Tóquio [em 2020]", afirmou Tatyana, que sofreu preconceito por sua paixão pelo esporte.

JUSTIÇA

Em 2004, após conseguir as suas duas primeiras medalhas na Paraolimpíada de Atenas, ela e sua família começaram a travar disputas judiciais para competir com atletas sem deficiência na escola. Os dirigentes alegavam que a russa tirava vantagem sobre as adversárias por usar cadeiras de rodas.

Só conseguiu competir pelo time da escola após a Justiça garantir o direito. O feito serviu de base para a decisão histórica do Departamento de Direitos Civis de Educação dos EUA. Há três anos, o órgão determinou que os distritos escolares são obrigados a proporcionar igualdade de acesso nas atividades extracurriculares para todos os alunos.

"A Tatyana é determinada e um símbolo para todos. Ela sempre diz: 'Você não tem que lamentar pelo seu corpo, mas fazer o melhor com o que você", disse Debbie ao lado de Bridget, sua parceira, na praia de Copacabana.

Tasso Marcelo/AFP
US Tatyana McFadden scores a record in the category Women's 5000m - T54 at Engenhao Stadium during the Paralympic Games in Rio de Janeiro, Brazil, on September 14, 2016. / AFP PHOTO / TASSO MARCELO ORG XMIT: TAS988
Americana Tatyana McFadden durante a prova de 5.000 m - T54
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