O que aconteceu com a música?

Não é novidade para ninguém que a indústria musical passou por uma revolução nos últimos 15 anos. Desde o advento dos primeiros programas de trocas de arquivos musicais, como o Napster, vimos uma mudança profunda no mercado da música, com gravadoras sucumbindo à pirataria digital e à diminuição na venda de CDs.

O jornalista norte-americano Stephen Witt escreveu um livro que não só explica em detalhes essa evolução tecnológica e musical, mas conta a história, até então ignorada, de alguns dos principais personagens da trama.

Associated Press
Depoimento de integrante Lars Ulrich, do conjunto musical Metallica, sobre o "Napster" no Senado americano; o programa facilita a troca de arquivos musicais entre computadores
Depoimento de integrante Lars Ulrich, do conjunto musical Metallica, sobre o "Napster" no Senado americano; o programa facilita a troca de arquivos musicais entre computadores

"Como a Música Ficou Grátis" é um trabalho de reportagem sério e meticuloso, mas com o ritmo e as surpresas de um verdadeiro "thriller" de espionagem. A história envolve grupos secretos de "piratas" virtuais, brigas entre cientistas, espionagem industrial e conflitos corporativos, além de trazer uma galeria de personagens dos mais interessantes e que colaboraram, cada qual à sua maneira, para que a música se tornasse "gratuita".

Entre os três principais nomes da narrativa está Karlheinhz Brandenburg, um cientista alemão que trabalhou em um sistema de compressão de som que viria a dar vida ao MP3.

Os outros são Dell Glover, funcionário de uma fábrica de CDs na Carolina do Norte que se tornaria o maior "pirata" da história da música, parte de um grupo que vazou 20 mil discos em menos de uma década, e Doug Morris, executivo famoso da indústria musical que ajudou a fazer da Universal a maior gravadora dos anos 1990.

É sensacional a forma como Witt costura essas três histórias e explica como esses personagens colaboraram com a revolução tecnológica e social que mudou a face da música. De quebra, temos ainda tramas fascinantes de bastidores da indústria, brigas entre executivos de gravadoras, disputas entre Steve Jobs e seus concorrentes e batalhas entre astros pop de egos descomunais. Um livro imperdível.

LIVRO

Como A Música Ficou Grátis - Ótimo
Autor: Stephen Witt
Tradução: Andrea Gottlieb de Castro Neves
Editora: Intrínseca (2015, 272 págs., R$ 39,90)

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FILMES

Vício Inerente - Muito bom

Paul Thomas Anderson (Warner Home Video, 2015, DVD R$ 39,90 e Blu-ray R$ 69,90)

Divulgação
Estreias de março -- Vício Inerente
Cena de "Vício Inerente"

No cinema norte-americano contemporâneo, Paul Thomas Anderson está vários degraus acima da concorrência. Fez "Boogie Nights", "Magnólia", "O Mestre" e "Sangue Negro" e, mais recentemente, adaptou o romance
"Vício Inerente", de Thomas Pynchon. O resultado é um retrato delirante e criativo do choque entre a contracultura e a realidade nos Estados Unidos no início dos anos 1970. Joaquin Phoenix faz um detetive particular que, em meio a ácidos e muita fumaça, busca uma mu-lher desaparecida. Faça uma sessão dupla com "Medo e Delírio", de Terry Gilliam, baseado no livro de Hunter S. Thompson, e entenda o que deu errado com os EUA na era Nixon.

Mad Max - Estrada Da Fúria - Muito bom

George Miller (Warner Home Video, 2015, DVD R$ 39,90 e Blu-ray R$ 69,90)

Há muito tempo não se via filme-pipoca tão divertido. Se os dois primeiros episódios, de 1979 e 1981, eram produções baratas e criativas sobre um mundo distópico em que homens lutavam por gasolina, este "Estrada da Fúria" é uma superprodução de US$ 150 milhões, com centenas de figurantes, cenários imensos e efeitos especiais assombrosos. Ainda prefiro o "Mad Max" pobrinho, mas essa versão "deluxe" diverte demais.

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DISCO

Star Wars - Muito bom

Wilco (DBPM, 2015, R$ 50 —importado)

Nono disco de estúdio da banda liderada por Jeff Tweedy, "Star Wars" mostra que o Wilco há muito deixou de ser só mais um conjunto de "alt-country". Com excelentes músicos, como o guitarrista Nels Cline e o baterista Glenn Kotche, o grupo faz de tudo um pouco nesse trabalho: ora cai em um pop oitentista que lembra o David Bowie da fase "Scary Monsters", ora remete aos experimentos sônicos do rock alemão nos anos 1970, como Can e Faust.

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