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carreira executiva

Comportamento é chave para ganhar cargo de direção

Entre um candidato com vasto conhecimento técnico e outro com capacidade de liderança e vontade de colocar a mão na massa, a balança tende a pesar a favor do segundo na hora de disputar uma posição executiva hoje.

Um estudo do Ibmec deste ano mostra que características comportamentais estão no topo das prioridades de executivos ao escolher candidatos a vagas gerenciais.

Capacidade de trabalhar em equipe e liderança são características muito importantes para 76% dos executivos. Já engajamento é fundamental para 75% deles, e estabilidade emocional e boas relações interpessoais, para 74%.

Em comparação, capacidade para atuar em um mercado global foi citada por apenas 28% dos executivos.

Potencial de liderança, por exemplo, é o que busca o programa de treinamento gerencial da Air France-KLM, pelo qual Wouter Vermeulen, diretor comercial para América do Sul, entrou na empresa.

Profissionais que saibam gerenciar pessoas tendem a ser mais bem-sucedidos ali, conta ele. "É um ambiente muito operacional, buscam mais 'soft skills'", afirma, referindo-se a competências sociais e comportamentais.

Na Schneider Electric, segundo o vice-presidente Pedro Del Rio, o comportamento também é essencial na hora de definir uma promoção ou contratar alguém de fora.

"A gente enxerga se é um líder inspirador, se é um executivo 'hands on', que coloca a mão na massa. Tem que entender seus liderados, ser claro, objetivo, direto ao ponto. Quando você vai contratar alguém, observa a paixão."

A formação deve, portanto, ir além da sala de aula. Capacidade técnica todos sabem que se aprende, diz Ana Bavon, diretora-executiva da Feminaria, que dá consultoria para mulheres. Então é mais importante estar disposto a desenvolver "competências socioemocionais".

Quem não nasceu sabendo trabalhar em grupo, por exemplo, pode, sim, aprender. "Só não será possível adquirir essa habilidade se for uma imposição da empresa e você não achar importante", afirma a coach Eliana Dutra.

Para isso, autoanálise é fundamental. Comece por observar suas reações às situações do dia a dia na empresa: como você se sente negociando com clientes? Quando fica mais vulnerável?

"Quanto mais você conhece suas habilidades e suas deficiências, melhor você se torna como profissional. Quando você se conhece, não tenta dar um passo maior que a perna", afirma Bavon.

Vermeulen começou a liderar como gostava de ser liderado, mas, observando a equipe, aprendeu que nem todos funcionam da mesma forma. "É um processo de descoberta constante", diz.

Além de escutar o feedback do time, ajuda conversar com alguém mais vivido sobre o que está dando certo e o que precisa ser melhorado.

Marcia Vazquez, gestora do capital humano e de operações da Thomas Case & Associados, sugere que se encontre um mentor. Pode ser um amigo, um colega, um professor –alguém que tenha mais tempo de carreira e com quem o profissional possa trocar experiências.

Na Air France-KLM isso faz parte da cultura, e há programas de liderança que envolvem mentoria e coaching -serviço que também pode ser contratado por conta própria.

Foi o que fez Del Rio, que desejava trabalhar a empatia e se tornar mais inspirador para a equipe. "Depois das sessões, estou muito mais seguro. Penso muito mais antes de agir."

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