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Robôs domésticos mantêm casa limpa, mas não são bons para faxina pesada

Terceirizar a limpeza da casa para um robô já é um sonho possível. O resultado, porém, não é o mesmo de colocar a mão na massa. Segundo especialistas em robótica, esses ajudantes eletrônicos ainda precisam melhorar muito para valerem a pena.

Aqui no Brasil, o modelo de robô mais comum nas lojas é o de aspiração. De acordo com a consultoria Euromonitor, especializada em pesquisas de mercado, foram vendidos 5.100 produtos do tipo em 2016. A previsão é que, em cinco anos, o número chegue a 13,2 mil.

Pouco, certo? A principal explicação para isso é o valor deles, ainda muito alto para grande parte dos brasileiros.

"Um aspirador robótico chega a ser dez vezes mais caro do que um tradicional. Ele é destinado a um nicho específico da população, normalmente composto por pessoas que moram sozinhas e o usam como um complemento para a diarista", explica Elton Morimitsu, analista de pesquisa da Euromonitor.

Robôs

Um dos robozinhos mais conhecidos é o Roomba, da iRobot. O modelo mais barato custa R$ 1.799, já o mais sofisticado chega a R$ 5.499 –inclui câmera, escovas autolimpantes, navegação inteligente e pode ser controlado por um aplicativo de celular.

O Deebot, da Ecovacs, é semelhante, custando entre R$ 1.199 e R$ 3.999. Seu modelo mais caro também pode ser controlado pelo celular e conta com um GPS que faz o mapeamento da residência.

A secretária executiva Sylvia Giannini, 39, tem um modelo mais simples. Ela comprou o "Oswaldo" –como batizou o seu robô de aspiração– há quatro anos nos Estados Unidos. Na época, pagou cerca de US$ 300.

"O que mais gosto é da praticidade. Ele é rápido e posso usá-lo quando não estou em casa, como se tivesse uma faxineira", diz ela, que mora em um apartamento de 56 m² na zona oeste da capital.

Bruno Santos/Folhapress
Sylvia Giannini, 39, com seu robô 'Oswaldo', em sua casa, em São Paulo
Sylvia Giannini, 39, com seu robô 'Oswaldo', em sua casa, em São Paulo

O empresário Alexandre Cantieri, 46, morador da zona sul de São Paulo, tem dois robozinhos em casa, que custaram cerca de R$ 3.000 cada. Ele conta que, depois que comprou os aparelhos, a diarista passou a ir com menos frequência ao apartamento.

"Ela trabalhava três vezes por semana. Agora, só duas. Se considerar que a diária custa R$ 200, economizo R$ 800 por mês", diz ele, que mora com a esposa e a filha.

Além dos robôs de aspiração, há outros modelos dignos do desenho animado "Os Jetsons", como os que limpam vidros e piscinas.

O primeiro, da Ecovacs, é chamado Winbot. Graças a um motor de alta rotação, ele "gruda" na janela por sucção e limpa toda a superfície com um pano de microfibra que fica em sua base. O aparelho é vendido por R$ 3.199.

"Os moradores do prédio em frente ficam olhando o robô pela janela, e não entendem do que se trata", diz Cantieri, que tem um do tipo.

O outro modelo é o Mirra, da iRobot, que foi usado na limpeza de algumas piscinas durante a Olimpíada. Além de aspirar as folhas caídas das árvores, ele limpa as paredes e filtra a água. É o mais caro de todos: R$ 7.999.

DESAFIOS

Mas até que ponto os robôs domésticos são eficientes?

"Eles funcionam mais como um mimo para as pessoas. São muito caros para o que entregam em termos de serviço", afirma Fabiano Corrêa, especialista em robótica do Departamento de Engenharia Civil da USP.

O professor diz, por exemplo, que o design dos aparelhos impede que eles cheguem a cantinhos da casa, e que os robôs têm a percepção de espaço limitada, levando muito tempo para descobrir os pontos que devem limpar.

Para Corrêa, uma solução seria as empresas investirem em modelos mais complexos e, em vez de vender esses aparelhos, disponibilizá-los para aluguel. "Para reduzir o valor do produto, ele acaba muito simplificado, o que afeta o seu desempenho", afirma.

Os obstáculos e desníveis são outros empecilhos para o funcionamento dos robôs, como aponta Sérgio Rabelo, especialista em robótica e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie. "Se há uma mesa com cadeiras, ele vai desviar e deixar espaços sem limpar, mas, se não tiver nada pelo caminho, vai trabalhar muito bem."

PLATAFORMA EVITA IDA AO SUPERMERCADO

Algumas atividades do dia a dia, ao menos por enquanto, não podem ser realizadas por robôs. Para quem não consegue dar conta delas, a solução é contratar um profissional para fazê-las ou terceirizá-las por meio de aplicativos.

A especialista em organização Ana Paula Vanzan, da Espaço Ordenado, oferece um serviço de gestão residencial para os clientes, assumindo o papel de "faz tudo" da casa.

Entre as suas atribuições, estão buscar roupas na lavanderia, acompanhar reformas, organizar pequenas recepções, comprar roupas no shopping, conferir se a despensa está abastecida e até arrumar árvores de Natal. Por dia, ela cobra cerca de R$ 1.100 pelos serviços.

"As pessoas estão sem tempo e querem tudo na mão. Por isso esse serviço é tão necessário", diz.

Mylena Abujamra, da empresa A Gente Organiza, também ajuda seus clientes a zerar a lista de afazeres domésticos. "Sou chamada, por exemplo, para buscar crianças na escola, fazer compras para eventos e ir até o supermercado", diz ela, que cobra R$ 90 por hora de trabalho.

Para Abujamra, a ajuda é indispensável porque "ninguém pode dizer para o chefe que vai embora mais cedo para resolver coisas no shopping": "Ajuda a evitar desconfortos e problemas no trabalho."
Outra opção para terceirizar afazeres são as plataformas de compras programadas. É o caso da HomeRefill, criada pelo paulistano Guilherme Aere dos Santos, 26.

Por meio dela, o usuário pode agendar as entregas de itens básicos -como escova de dentes e produtos de limpeza- em casa, que podem ser quinzenais, mensais ou bimestrais. "A proposta é servir como um assistente inteligente de consumo", diz.

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