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Calcule se vale a pena mandar consertar seu eletrodoméstico antigo

Eletrodomésticos antigos podem ser ótimos itens de decoração, mas consomem muita energia. Já os novos costumam ser mais econômicos, mas duram menos do que aqueles de décadas atrás. Em caso de defeito, é melhor consertar o item velho ou trocá-lo por um moderno?

A resposta não é tão simples e está condicionada ao modelo do aparelho, seu histórico de problemas e o valor do conserto.

Uma forma de saber se vale a pena desapegar do eletrodoméstico antigo é fazer um cálculo, como explica César Caselani, professor de administração da FGV.

Se um aparelho novo terá vida útil de dez anos, o conserto do antigo não pode custar, por ano, mais de 10% do valor do equipamento novo. Ou seja, se uma geladeira é vendida a R$ 2.000 e deve durar uma década, segundo previsão do lojista ou do fabricante, o reparo da velha deve custar até R$ 200 por ano para que o conserto compense.

"Também não vale a pena investir na manutenção se o preço for muito próximo ao de um produto novo, que tem a vantagem de ser tecnologicamente mais avançado e consumir menos energia", pondera Caselani.

A tendência é que, a cada cinco anos, haja uma redução de cerca de 10% do consumo energético dos eletrodomésticos que chegam ao mercado, de acordo com Agostinho Pascalicchio, professor de economia e engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Adriano Vizoni/Folhapress
O fotógrafo Giácomo Favretto, 63, em sua casa, na zona sul de São Paulo
O fotógrafo Giácomo Favretto, 63, em sua casa, na zona sul de São Paulo

Os refrigeradores, por exemplo, reduziram em até 26% o consumo de energia em 15 anos, segundo um estudo publicado em 2015 pelo Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica.

Apesar da melhor eficiência energética, o risco de que aparelhos novos estraguem facilmente ou sejam trocados em pouco tempo é grande.

Como observa Tereza Carvalho, coordenadora do Laboratório de Sustentabilidade do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais da USP, os modelos mais modernos têm uma espécie de obsolescência programada: "A filosofia da indústria hoje é estimular o consumo, não o reparo".

Enquanto os produtos antigos eram normalmente feitos de metais, hoje são compostos em grande maioria por materiais mais frágeis, como o plástico.

Adriano Vizoni/Folhapress
Giácomo Favretto tem um fogão da década de 1940 em sua casa
Giácomo Favretto tem um fogão da década de 1940 em sua casa

O fotógrafo Giácomo Favretto, 63, sabe o valor dos itens antigos. Em sua casa, na zona sul de São Paulo, há uma geladeira da década de 1950 e um fogão de 1946 comprados em lojas de antiguidades. E não servem só para decorar os ambientes: estão em pleno funcionamento.

"Gosto da estética dos aparelhos daquela época. O que não significa que eu dispense novidades", diz.

Segundo ele, apenas o sistema de vedação da geladeira costuma dar problemas: "Se os motores estiverem bons, pode durar uma vida".

O fotógrafo diz que nunca calculou a diferença no consumo de energia dos itens velhos em relação aos novos.

Para quem também não é chegado em contas, existem formas mais práticas de saber a hora de trocar o eletrodoméstico, como conferir se as falhas, sejam vazamentos ou rachaduras, são recorrentes e surgem no mesmo lugar, explica Pascalicchio.

FIQUE ATENTO AOS DIREITOS DO CONSUMIDOR EM CASO DE DEFEITO

Nem sempre o tempo é o culpado pelas falhas em um eletrodoméstico. Quando o item não é entregue em perfeitas condições, o consumidor deve ficar atento para exigir seus direitos.

Após a compra de um aparelho, a pessoa tem até 90 dias para reclamar de eventuais defeitos, como explica Rodrigo Serra Pereira, coordenador do Núcleo de Defesa do Consumidor da Defensoria Pública de São Paulo.

A empresa, por sua vez, deve fazer o conserto em até um mês. Caso não o faça, ela três opções: substituir o item por outro, devolver a quantia paga ou oferecer um desconto para o comprador.

Ocorrências mais graves, como a explosão de um eletrodoméstico, podem render ainda uma ação de reparação de danos contra a empresa. O consumidor tem até cinco anos a partir do acontecimento para acionar a Justiça.

Além da garantia de três meses, há ainda a contratual e a estendida. A primeira não pode ser cobrada e dá direito ao reparo sem custos. Já a segunda vai funcionar como uma espécie de seguro e deve ser paga pelo cliente, explica Igor Marchetti, advogado do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor.

Se o item estiver na garantia é essencial levá-lo até uma assistência autorizada para que ela não seja perdida.

Nessa etapa, alguns cuidados são necessários. O primeiro é pedir um orçamento antecipado, com todos os serviços e valores discriminados. Quando o produto for entregue, é importante conferir se está, de fato, funcionando.

"Se o defeito aparecer após um curto período, poderá alegar que houve uma má prestação do serviço e exigir a substituição do produto ou a restituição do valor pago", explica o advogado. Nesse caso, a única coisa que pode ser cobrada é a visita técnica.

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DESTINO FINAL
Onde descartar aparelhos usados

VOLTA ÀS ORIGENS
A Política Nacional de Resíduos Sólidos determina que fabricantes e distribuidores de eletrodomésticos são responsáveis pelo ciclo de vida do produto, inclusive pela sua destinação. A recomendação é ligar para as empresas e checar se oferecem o serviço de coleta do material.

SÓ NO PAPEL
Como a logística de recolhimento pelas empresas ainda não foi totalmente implementada, nem todas recebem aparelhos velhos. Representantes do setor discutem o tema desde 2010, mas ainda não chegaram a um acordo.

ALTERNATIVA
Se a empresa não ajudar, uma opção é chamar uma cooperativa especializada na coleta de resíduos eletroeletrônicos. Em São Paulo, a Coopermiti, que tem convênio com a prefeitura, recolhe os resíduos. O serviço é gratuito e pode ser agendado pelo telefone (11) 3666-0849.

SEM DESCULPA
Associações também têm postos de coleta de eletrodomésticos espalhados pela cidade. O portal eCycle (ecycle.com.br) mostra locais que recebem o material, com base na localização do usuário e no tipo de produto a ser descartado.

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