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Apartamentos com menos de 20 m² exigem novo estilo de vida

A onda dos microapartamentos chegou a São Paulo. Nos últimos anos, construtoras lançaram opções de plantas com menos de 20 metros quadrados.

O recorde atual é o Nova Higienópolis, empreendimento da Vitacon com apartamentos de apenas dez metros quadrados -o equivalente a uma vaga de garagem.

O imóvel, que tem entrega prevista para 2020, será o menor da América Latina.

Já em cidades como Paris e Nova York os apartamentos chegaram a tamanhos ainda mais diminutos, 8 e 7 metros quadrados respectivamente.

Morar em ambientes tão reduzidos exige mudanças no estilo de vida. Não há espaço para armazenar muitas peças de roupa e muito menos para um bicho de estimação.

Não é todo mundo que está disposto a viver com tão pouco. "O brasileiro ainda tem uma referência de casa um pouco maior, com cachorro, planta. Isso explica o sucesso da varanda gourmet, por exemplo, que virou o quintalzinho dos antigos sobrados", diz Fernando Laterza, coordenador do curso de Design da Faculdade Belas Artes.

Para a arquiteta paulistana Claudia Alionis, o tamanho mínimo de uma casa para uma pessoa fica em torno de 30 metros quadrados. "Assim, o morador consegue ter uma cama e uma cozinha pequena", explica.

Em um imóvel de 10 metros quadrados, afirma Alionis, é preciso se adaptar: mesa que se transforma em prateleira, cama que levanta para dar espaço a um sofá, pufe que vira mesa de apoio. "Isso não é muito prático", diz.

Para a psicóloga Laís Nicolodi, a sensação de conforto do morador vai depender de como ele usufrui da casa. "Se a pessoa estiver acostumada a ter uma sala para receber os amigos, ela pode estranhar. Se casa para ela sempre foi só um lugar para dormir, pode nem sentir a diferença."

CURTIR A CIDADE

Os apartamentos minúsculos são lançados em bairros centrais de São Paulo para atender a uma demanda específica da cidade.

"É um tipo de imóvel que funciona muito bem onde há transporte público e oferta de emprego e estudo. Os compradores são pessoas, solteiras ou casadas, que trabalham na região e querem ir a pé ao trabalho", explica Alexandre Frankel, presidente-executivo da Vitacon.

"Os novos moradores do centro de São Paulo querem abrir a porta do apartamento e ter acesso a serviços como lazer e transporte", afirma Antonio Setin, presidente da Setin. A incorporadora lançou em 2014 o Downtown São Luís, com apartamentos de 18 metros quadrados.

Nos empreendimentos, a falta de espaço nos apartamentos é suprida pela oferta de serviços na área comum. Os moradores têm acesso a sala de trabalho, espaço para festas e lavanderia. "Tudo é pensado para que o morador dependa menos do espaço próprio", diz Frankel.

"Se a pessoa quer ficar bem localizada e não pode ou não quer gastar muito dinheiro é uma escolha que faz sentido. Ela vai estar perto de grande oferta de serviços e transporte por um preço menor," diz a arquiteta Alionis.

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