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Dono da Havan diz que não banca campanha anti-PT pelo WhatsApp e fala em processar a Folha

Hang nega ter comprado pacotes de disparos de mensagens contra o PT, como revelou reportagem

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Guilherme Seto
São Paulo

Em transmissão ao vivo em seus perfis nas redes sociais, o empresário Luciano Hang, dono da Havan, refutou reportagem da Folha e disse que não comprou pacotes de disparos em massa de mensagens contra o PT no WhatsApp. A reportagem, publicada nesta quinta-feira (18), apurou que cada contrato chega a R$ 12 milhões e, entre as empresas compradoras, está a Havan. Os contratos são para disparos de centenas de milhões de mensagens.

Em sua transmissão, Hang chamou a reportagem da Folha de "mentira", "fake news" e afirmou que processará o jornal.

Trajado com vestes coloridas de temática náutica e carregando um bote de plástico amarelo, Hang apresentou-se no vídeo como o "comandante Haddad" do "PTitanic". Em suas aparições públicas, o empresário catarinense coloca-se como antipetista e como apoiador de Jair Bolsonaro (PSL).

Luciano Hang durante transmissão no Facebook - Reprodução

O empresário afirmou em vídeo que ele compartilha conteúdo a favor do presidenciável a partir do seu celular pessoal e que não paga para que suas mensagens sejam impulsionadas.

"Desafio a Folha a mostrar as empresas que impulsionaram o WhatsApp para a minha pessoa. Disse para eles ontem, se vocês lerem a entrevista, que o trabalho que eu faço é como o de milhões de brasileiros. Como elas [mensagens] têm conteúdo lúdico, elas se dissipam na sociedade através do WhatsApp e do Facebook. Não é porque eu pago para impulsionar, mas porque vem o que é verdadeiro", disse Hang.

"Jamais ajudaremos alguma coisa contra a lei. Os conteúdos são de graça e se disseminam por milhões de brasileiros", acrescentou.​ "Mando meus WhatsApps pelo meu celular. Tenho mil e poucos amigos e mando para eles. Eles distribuem para os amigos deles. É uma corrente muito grande. Todos aqueles 50 milhões que votaram nele recebem algo do Bolsonaro? Fazem de graça e viraliza."

Em sua performance, ele utilizou exemplares da Folha para embrulhar um peixe morto e um monte de fezes de plástico. "Hoje, no Brasil, serve para embrulhar cocô de cachorro e peixe. Para nada mais a Folha de S.Paulo serve", afirmou.

Hang chamou o jornal de "puxadinho do PT". Para ele, a reportagem foi "implantada" pelo partido de Fernando Haddad, que então a utilizou como "mote de campanha".

"Fazem matéria para ser propaganda do PT. Hoje o Haddad estava no telefone, usando a primeira página da Folha e dizendo que há empresas enormes impulsionando a campanha do Bolsonaro."

A respeito dos pedidos de investigação judicial por parte de PT e PDT ao Tribunal Superior Eleitoral, Hang recomendou tranquilidade e reafirmou que "nada de errado foi feito".

O dono da Havan já cometeu infrações em sua tentativa de apoiar Bolsonaro nesta eleição. Ele foi multado em R$ 10 mil pelo TSE em agosto por ter contratado um serviço de impulsionamento de publicações no Facebook para expandir o alcance de um vídeo favorável ao capitão reformado.

No começo de outubro, a Justiça do Trabalho em Santa Catarina determinou que ele deveria deixar  de realizar atos direcionados a seus empregados em apoio a Bolsonaro. A prática foi comparada ao "voto de cabresto" pelo juiz do Trabalho Carlos Alberto Pereira de Castro.

Desde que se desfiliou do MDB no fim do ano passado, Hang adotou um comportamento ativo nas redes sociais. Junto das mensagens publicitárias que ele mesmo grava em vídeos para promover suas lojas de departamento, o empresário passou a incluir conteúdo político.

Ele defende que o Brasil é atualmente um país "comunista socialista" e pede a privatização de todas as estatais.

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