A injustiça muda de endereço; Günter Wallraff, de disfarce
O jornalista alemão Günter Wallraff já se fez de operário turco, repórter de um tablóide e, recentemente, funcionário de um call center. Para ele, o mundo precisa de mais gente disposta a desmascarar a realidade.
Günter Wallraff vem sendo a pedra no meio do caminho de grupos empresariais já há algumas décadas. Aos 64 anos, o jornalista que leva o "investigativo" ao extremo cola bigodes postiços, usa lentes de contato, muda a cor da pele e faz o que mais for necessário para se embrenhar em realidades diferentes da sua. E, assim, descobrir o que há por trás da superfície.
Seus livros foram traduzidos para mais de 30 línguas entre elas o português. No Brasil, foi publicado o volume Cabeça de turco, obra que expõe a forma desumana como são (ou eram, no 1985 de sua publicação) tratados os trabalhadores turcos na Alemanha. Os suecos até transformaram seu nome numa expressão: no país, "wallraffa" passou a designar "o ato de expor uma má conduta, ao assumir um papel".

