Publicidade
Publicidade
Publicidade

Ao pedir aumento, funcionário deve mostrar seu valor para a empresa

Bruno Santos/Folhapress
SAO PAULO, SP, BRASIL, 28.01.18 1h O que vai bombar no Carnaval 2018 nas ruas. Denny Azevedo, 34, e Ricardo Don, 31, artistas, no Academicos do Baixo Augusta. (Foto: Marcus Leoni / Folhapress, COTIDIANO)
Roberto Vazquez, que negociou um aumento para si e seus colegas, em sua casa em São Paulo

Negociar salário é como entrar em uma delicada transação de compra e venda: o empregado tenta convencer a empresa a comprar seu trabalho pelo maior valor.

Precificar esse serviço, contudo, não é tarefa simples. Segundo José Augusto Minarelli, presidente da consultoria Lens & Minarelli, a cifra irá corresponder ao valor que a empresa acredita que o funcionário tem e gera. "Se o profissional tem currículo bom, capacitação e histórico de sucesso, vale mais."

Ao pedir aumento, é preciso vender seu peixe trazendo informações e números –anos de casa, avaliações, produtividade, metas cumpridas e responsabilidades.

"É uma via de mão dupla. Você diz: 'Tenho feito isso pela empresa, o que ela pode fazer por mim?'", diz Leticia Krauskopf, gerente regional da Randstad Professionals.

Argumentos como dificuldades financeiras, por exemplo, devem ser evitados. "O empregador não está ali para ajudar o funcionário, e sim para retribuir de acordo com seus resultados", afirma o coach Marcelo Policarpo, da SBCoaching.

Foi essa a abordagem usada por Roberto Vazquez, 41, ao pedir um aumento para seu chefe na empresa de soluções de engenharia em que trabalhava, na área de atendimento ao cliente.

Elaborou uma planilha com o volume de trabalho e o faturamento de sua equipe antes e depois de um corte de funcionários e mostrou que, com menos pessoas, davam conta do mesmo serviço.

Ele e os colegas pediram, então, um aumento coletivo. "Expus os números, o diretor prestou atenção, entendeu a demanda e disse que fazia sentido", conta. Deu certo: a equipe passou a ganhar cerca de 10% a mais.

Segundo Ricardo Karpat, diretor da Gábor RH, negociar em grupo, porém, é uma estratégia arriscada. "Tem que tomar cuidado porque o gestor pode interpretar como um complô", afirma.

Tom de ameaça deve ser sempre evitado. Pedir aumento dizendo que recebeu uma proposta, por exemplo, pode ser um risco. "Fica a impressão de que se eu cobrir a oferta, no primeiro momento em que o profissional tiver algo melhor, vai pedir demissão, porque ficou pelo dinheiro", diz André Narciso, CFO da start-up Quero Educação.

Gabriel Cabral/Folhapress
SAO PAULO, SP, BRASIL, 28.01.18 1h O que vai bombar no Carnaval 2018 nas ruas. Denny Azevedo, 34, e Ricardo Don, 31, artistas, no Academicos do Baixo Augusta. (Foto: Marcus Leoni / Folhapress, COTIDIANO)
O analista de sistemas Frederico Furtado, na região central de São Paulo

FORA

Mas, se crescer na empresa não for uma possibilidade, é natural sair. O analista de sistemas Frederico Furtado, 35, que hoje tem o próprio negócio, conta que quando pedia aumento onde começou a carreira, recebia negativas. "Fiz uma entrevista em outro lugar e me deram o que pedi. O lugar que me formou não me valorizou", lembra.

Na teoria, segundo Karpat, as empresas deveriam dar aumentos por rendimento sem que o empregado precisasse pedir. Na prática, não é o que acontece, e quem fica calado pode ser prejudicado.

A cada ano trabalhado, Furtado ia à sala do chefe. "É uma oportunidade de pedir feedback e um aumento. Ele não vai oferecer isso."

A entrada na empresa é o melhor momento para negociar, diz Felipe Brunieri, gerente da divisão de finanças da consultoria Talenses. O salário atual –ou o último, para quem está desempregado– é o ponto de partida.

Em tempos de vacas gordas, é normal trocar de emprego com aumento de 40% em relação à remuneração anterior. Já hoje o número para quem está trabalhando não costuma passar de 20%.

O cenário é ainda pior para quem está desempregado. "É um jogo em que eu ofereço, você pede mais. Se você não tiver tranquilidade, acaba aceitando qualquer oferta", diz Minarelli. Atualmente, é considerado normal receber uma proposta até 30% abaixo do último holerite.

Informação sobre a média salarial de quem é sênior naquela área também é um dado importante. Para isso, um dos melhores caminhos é enfrentar o tabu e falar de dinheiro com pares e colegas.

"As pessoas vivem cercadas de fontes, mas muitas vezes não têm coragem de perguntar quanto é razoável pedir", afirma Minarelli.

Se nada der certo, e a oferta que receber estiver abaixo do esperado, o empregado pode pedir um tempo para pensar e fazer uma contraproposta, colocando no papel aquilo que foi sugerido e os motivos por que esperava algo um pouco maior.

Se elevar o salário for inviável, outros benefícios podem entrar em jogo. "Veja se consegue algo como fazer um curso. Pergunte: 'Tem outra coisa que possa fazer por mim?'", diz Krauskopf.

Publicidade
Publicidade
Publicidade