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Paisagistas ensinam a escolher a flor certa para cada canto da casa

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Para decorar a mesa de jantar dessa sala de cem metros quadrados, em um apartamento em Pinheiros (zona oeste), a designer Daniela Cianciaruso, do escritório Díptico, escolheu uma bromélia dentro de um vaso de latão. "Se fosse uma flor delicada, iria sumir ali", diz
Para decorar a mesa de jantar dessa sala de cem metros quadrados, em um apartamento em Pinheiros (zona oeste), a designer Daniela Cianciaruso, do escritório Díptico, escolheu uma bromélia dentro de um vaso de latão. "Se fosse uma flor delicada, iria sumir ali", diz

Dentro de casa, as flores ajudam a dar cor a ambientes mais sóbrios e destaque para móveis e cantos especiais. "Elas complementam a decoração como poucos objetos conseguem", afirma a designer de interiores Daniela Cianciaruso.

Mas a escolha de onde colocar cada tipo de flor não deve levar em consideração apenas o critério estético. "A pessoa precisa pensar que está lidando com um ser vivo, que, se não estiver num local adequado, depois de um tempo começa a definhar", diz a paisagista Catê Poli.

Se a planta está exigindo um cuidado excessivo, ela provavelmente está no lugar errado, alerta a jardineira Carol Costa, autora do livro "Minhas Plantas - Jardinagem Para Todos (Até Quem Mata Cactos)", da editora Paralela (280 págs., R$ 99,90).

"As plantas não precisam de babá, elas produzem o próprio alimento. Só necessitam de adubo, rega e luminosidade corretos", afirma.

Mesmo as espécies que não gostam de incidência direta da luz do sol precisam dela para realizar a fotossíntese. Isso significa que devem ficar em cômodos com boa claridade, a no máximo quatro metros da janela.
Para ambientes sem iluminação natural, como halls de elevador, lavabos e corredores, vale investir em flores artificiais ou arranjos, trocados de tempos em tempos.

Já em banheiros com janela, deve-se optar por espécies que também resistam bem à umidade e ao calor do banho, como o antúrio e o lírio-da-paz. "Desde que tenha luz e circulação de ar", ressalta a paisagista Chris Pierro.

Violetas, flores-de-maio e begônias ficam bem na cozinha ou na área de serviço, próximas de uma janela onde não bate sol.

Também não há restrições sobre ter plantas no quarto, ao contrário do que muitos pensam. À noite, os vegetais liberam gás carbônico pela respiração, como qualquer outro ser vivo.

"Ninguém tem medo de dormir com um cachorro ou um companheiro do lado. Com a planta é a mesma coisa", diz Costa.

Para o cômodo, ela recomenda orquídeas como a borboleta, a chuva-de-ouro e a olho-de-boneca. O ideal é que recebam sol por pelo menos duas horas por dia –pode ser através do vidro da janela.

"Muita gente que tem orquídea reclama que há anos ela não dá flor. Em geral, é porque não recebe luz suficiente", afirma.

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Nessa sala que se une à varanda, na zona sul, a arquiteta Daniele Okuhara, do escritório Doob, quis quebrar os tons mais sóbrios da decoração com uma orquídea borboleta dentro de um cachepô amarelo. "Também faz um contraste com a mesa de jantar preta", afirma
Nessa sala que se une à varanda, na zona sul, a arquiteta Daniele Okuhara, do escritório Doob, quis quebrar os tons mais sóbrios da decoração com uma orquídea borboleta dentro de um cachepô amarelo. "Também faz um contraste com a mesa de jantar preta", afirma

Se o local onde se deseja colocar a flor não bate sol, a pessoa pode ficar trocando-a de lugar, mas a especialista não recomenda fazer isso. "Nos dias mais corridos a pessoa pode se esquecer de tirar a planta da sombra ou acabar deixando-a tostando no sol. Não vale a pena."

Se o quarto tem ar-condicionado, a única dessas orquídeas que resiste bem às baixas temperaturas e umidade é a borboleta, cujas folhas são mais grossas. Mesmo assim, é bom posicioná-la o mais longe possível da saída de ar.

Na sala, além de orquídeas, outra opção é usar bromélias de sombra, que não exigem incidência solar direta. "Elas provocam um impacto grande na decoração, com folhagem bonita e eflorescência colorida, e saem um pouco do óbvio", afirma Pierro.

ALERGIA

Qualquer pessoa pode ter flores em casa, mesmo aquelas que são alérgicas ao pólen, de acordo com o médico Nelson Augusto Rosário Filho, diretor da Asbai (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia).

Ele explica que flores ornamentais não causam alergia porque seu pólen não se dispersa no ar como o das flores de capim. "Em geral, o problema está fora de casa, não dentro", afirma. "O problema está fora de casa, não dentro", diz.

O único cuidado é evitar o acúmulo de água e material orgânicos nos vasos para que não haja proliferação de micro-organismos que podem desencadear outros tipos de alergias ou doenças.

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Arranjos precisam de sombra e água fresca para durar mais tempo

Arranjos com flores cortadas duram menos, mas também são uma opção interessante de decoração. "Não precisa ser uma data especial. Flores em vasos ou até mesmo em garrafas de vidro trazem vida para a casa", diz a arquiteta Daniele Okuhara.

Para estender a duração das flores em dias ou até semanas, basta tomar alguns cuidados básicos.

Ao comprar ou ganhar um buquê, a primeira coisa a fazer é retirar a embalagem para que a planta consiga respirar, recomenda Mihara Leite, florista da Giuliana Flores.

Outro cuidado é não colocá-las diretamente na água gelada. "Como o buquê está mais quente, receberá um choque térmico. Melhor que a água esteja em temperatura ambiente", explica.

Se as flores foram amarradas, é melhor deixá-las assim mesmo, indica Ed Flinch, da loja O Florista. Ao retirar a fita, o local em que ela estava pode ficar machucado, e o cabo, acabar dobrando.

A água deve estar sempre limpa, sem folhas ou qualquer outro material orgânico. As trocas precisam ser feitas pelo menos a cada dois dias -se estiver calor, melhor substitui-la diariamente.

Deve-se evitar jogar água nas pétalas, o que pode manchá-las. Para aumentar sua durabilidade, uma dica é adicionar, a cada litro de água, uma gota de água sanitária.
Durante a troca de água é importante cortar um centímetro do cabo, para retirar a ponta estragada e liberar a passagem de nutrientes.

O corte deve ser feito sempre na diagonal e dentro de uma vasilha com água, para que não entre ar no cabo.

No caso das rosas, Flinch também recomenda que suas folhas sejam retiradas, porque roubam nutrientes das pétalas. "Só fazendo isso, elas podem durar até uma semana a mais", diz o florista.

O vaso escolhido também não pode ter uma boca muito estreita, que aperte os cabos e, assim, dificulte a passagem dos nutrientes. Deve ser posicionado longe do sol, em local arejado.

Se o buquê tiver diferentes tipos de flores, algumas podem estragar primeiro. Para manter o arranjo bonito e evitar que as outras também apodreçam, corte as que já estão feias com uma tesoura.

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LÁ EM CASA

Veja as espécies que se adaptam bem ao ambiente interno

Antúrio

Antúrio
É uma espécie rústica, que dá pouquíssimo trabalho e não gosta de luz solar direta. Se bem cuidada, pode durar por muitos anos. As regas devem ser feitas duas vezes por semana. A cada 15 dias, adube com fertilizante líquido do tipo NPK (com os números iguais e menores que 10)

Orquídea borboleta (phalaenopsis)
Se bem cuidada, pode dar flores por até seis meses. Regue-as de baixo da torneira, molhando bem as folhas, mas deixando o excesso de água escorrer. Com um pano, seque seu miolo, onde há entroncamento das folhas, para que não apodreça. Para estimular a floração, jogue canela na terra

Violeta
Exige bastante claridade para florescer, mas sempre protegida da incidência solar direta. É uma das espécies mais fáceis de matar por excesso de regas. Molhe quando a terra estiver seca, de preferência com água morna. Espere uma hora e retire o excesso do pratinho

Lírio-da-paz
Deve ser cultivada em local úmido. Por isso, vai bem no banheiro, mas não se adapta a ambientes com ar-condicionado. Floresce durante a primavera e o verão. Regue-o de duas a três vezes por semana, mas também fique de olho na planta. Se estiver murcha, significa que está precisando de água

Ilustrações: Sandro Castelli/Folhapress

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