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Manutenção preventiva ajuda a evitar gastos altos com carro fora da garantia

Seguir o plano de revisões estipulado pela montadora é um ponto fundamental para preservar a garantia do carro. Porém, quando o período de cobertura chega ao fim, uma nova rotina de manutenções precisa ser estipulada, e isso pode resultar na redução de gastos com o veículo.

De acordo com Francisco Satkunas, conselheiro da SAE Brasil (Sociedade de Engenheiros da Mobilidade), a primeira ação deve ser a consulta ao manual do automóvel, para saber quais são as intervenções mecânicas previstas e quais são seus intervalos.

A partir daí, o proprietário do carro poderá comparar orçamentos em diferentes oficinas para realizar os serviços preventivos, que evitam gastos futuros com quebras e reduzem o risco de acidentes.

O engenheiro Rafael Rossi, 32, já se prepara para encarar a nova fase. A garantia de seu Ford Ka expira em dezembro e ele não tem planos de trocar de carro no próximo ano. "Óleo e filtros são serviços de praxe, mas fico em dúvida em relação aos custos de manutenção de itens como suspensão, escapamento, pneus e correia dentada."

Quando chegar o momento da primeira revisão pós-garantia, Rossi irá se deparar com grandes diferenças entre os orçamentos oferecidos pelas autorizadas e por oficinas fora das concessionárias.

A troca da correia dentada de um hatch compacto como o Chevrolet Onix fica em torno de R$ 350 em mecânicas independentes de São Paulo, incluindo a mão de obra. O mesmo serviço feito em uma revenda da marca custará cerca de R$ 700.

Essa manutenção deve ser feita aos 50 mil quilômetros. Se o reparo não for feito no prazo estipulado pela Chevrolet e a correia se romper, o estrago pode comprometer o motor. "Nesse caso, o valor total do conserto vai variar de R$ 2.200 a R$ 3.400", diz Jackson Ferraz, dono da JK Auto Mecânica.

Além do preço alto para o reparo, o tempo pelo qual o veículo ficará parado na oficina será muito maior. "Retificar um motor é um serviço que pode demorar uma semana para ser concluído, enquanto uma troca simples da correia é feita em três horas", acrescenta Ferraz.

Outro ponto que não pode ser esquecido é o sistema de freios. A revisão com troca das pastilhas para um automóvel popular custa entre R$ 150 e R$ 200. Caso haja desgaste excessivo, o motorista terá de trocar também os discos dianteiros, e o valor da conta será dobrado.

VIDA LONGA

Para o Sindirepa (sindicato que representa os reparadores de veículos), o dono do carro precisa agir com bom senso ao avaliar o que deve ser feito no automóvel.

"O consumidor não precisa necessariamente realizar 100% do que está sendo sugerido pela montadora, só não é aconselhável adiar as revisões periódicas, porque resultará em gastos maiores", diz Antonio Fiola, presidente da entidade.

As dúvidas surgem com os serviços extras oferecidos nas revisões durante o período de garantia, como limpeza dos bicos injetores. Nesse caso, trata-se de um procedimento desnecessário: sistemas modernos de injeção eletrônica são autolimpantes.

"Tudo vai depender das condições de uso, mas os carros atuais são projetados para aguentar tranquilamente mais de 300 mil quilômetros. Se estiver bem conservado, compensa continuar com o veículo", diz Fiola.
Além disso, carros tendem a ficar mais econômicos com o uso. Se respeitar os prazos de manutenção e mantiver cuidados básicos, como calibrar os pneus, o motorista também irá gastar menos no posto de gasolina.

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Prevenir é melhor

Cuidados que é preciso ter com a manutenção dos veículos usados

Alexandre Affonso

OFICINA PARTICULAR OU CONCESSIONÁRIA?

Se não há mais cobertura de fábrica, o dono do carro tem a opção de procurar uma boa oficina de bairro para fazer as manutenções básicas.

As montadoras têm oferecido planos de revisão de baixo custo, válidos também para os carros que estão fora da garantia.

O cliente pode continuar seguindo essa rotina de manutenção, mas pedir outros orçamentos se um defeito de maior custo for detectado

NÃO SE ESQUEÇA DE...

- Fazer a troca periódica do óleo e de seu filtro, sempre respeitando o tipo de lubrificante e os intervalos estipulados no manual do carro

- Substituir os filtros de ar do motor e da cabine de acordo com a recomendação do fabricante. Em geral, esse serviço deve ser feito a cada 10 mil quilômetros

- Trocar o aditivo do radiador e o fluido do sistema de freios a cada dois anos

Alexandre Affonso

- Nas paradas para manutenção, analisar se é preciso fazer a troca dos pneus ou rodízio, com balanceamento e alinhamento

- Verificar a de suspensão do carro (amortecedores, batentes, buchas e molas) a cada 15 mil quilômetros, mesmo se não houver sinais de desgaste -pode ser necessário fazer um reaperto da peças

- Verificar, a cada 10 mil quilômetros, se há necessidade de trocar as pastilhas de freio. O desgaste desses componentes compromete a segurança e acelera o desgaste dos discos, que custam caro

- Checar a vida útil da correia dentada do motor e de seus periféricos (tensionadores e esticadores). As peças feitas de borracha duram, em média, 50 mil quilômetros

CUIDADOS QUE AJUDAM A POUPAR GASOLINA

- Confira semanalmente a calibragem dos pneus e siga os valores recomendados no manual do carro. Uma redução de 10% na pressão representa 5% a mais de consumo

Alexandre Affonso

- Elimine o "peso morto" transportado na cabine ou no porta-malas. A força extra que o motor precisa fazer para levar mais carga aumenta o gasto de gasolina

- Nas revisões, peça para o mecânico verificar o ajuste das velas e de seus cabos, partes que podem apresentar fuga de energia. Se não há uma faísca boa, provavelmente a queima do combustível está comprometida, o que aumenta o consumo

- Evite deixar as janelas do carro abertas enquanto estiver rodando com o ar-condicionado ligado

- Aquecer o motor na garagem aumenta o consumo. Carros atuais são pensados para entrar em movimento assim que é dada a partida, sem abusar das acelerações nos primeiros dois ou três minutos de uso

- Evite circular com o tanque na reserva. Há risco de a bomba de combustível "puxar" impurezas armazenadas no fundo do reservatório

- Mantenha o câmbio engrenado (marcha engatada) nas descidas de ladeiras. Motores modernos, com injeção eletrônica, quase não queimam combustível nessa condição

- Quanto mais rápido, mais gastão: um carro a 120 km/h vai consumir, em média, 25% a mais do que se estivesse rodando a 90 km/h

Fonte: SAE Brasil, Sindirepa-SP e Grupo de Manutenção Automotiva

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