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clóvis rossi

 

28/08/2012 - 03h00

Até liberais desconfiam de Romney

Faz pouco mais de um mês, escrevi aqui mesmo um texto cujo título era "Por que tenho medo de Romney".

Para minha surpresa, descubro agora que uma publicação que simpatiza com as ideias do candidato republicano também o teme. Trata-se da "Economist" que está nas bancas e trouxe Romney para a capa.

A única - e fundamental - diferença entre este pobre jornalista tapuia e a lustrosa grife britânica é que meu medo se deve ao que imagino saber dele, pelo que Romney ou seus assessores próximos puseram no papel, ao passo que a "Economist", por muito que passe sempre a impressão de que sabe tudo sobre todos os assuntos, teme-o pelo que diz não saber do candidato.

Ou melhor: teme-o porque acha que "Romney poderia ganhar uma medalha olímpica" no torneio de mudar de posição.

A revista cita, entre outros pontos, o fato de que o republicano apoiava o aborto, o controle de armas e o enfrentamento da mudança climática, quando era governador de Massachusetts, um Estado supostamente liberal (o mais à esquerda que os norte-americanos se permitem). Agora é contra, para não contrariar os extremistas que tomaram conta do partido.

Consequência: fica a "preocupante ideia de um homem que não conhece de fato a sua própria mente". Consequência 2: "A América não votará por esse homem; nem o faria esta publicação".

A revista é tão cruel na análise de Romney que ironiza seu programa econômico, batizando-o de "Cinquenta Tons de Cinza sem sexo", em alusão ao romance que é o tititi do momento e cujo charme reside exatamente no sexo.

Surpreende ver que a tão badalada "Economist" afirme que "ninguém sabe quem este estranho homem realmente é".

Afinal, o processo de primárias que é característica dos Estados Unidos expõe os candidatos a um escrutínio da opinião pública e da mídia certamente inédito no mundo.

Do meu ponto de vista, não é que Romney seja um desconhecido ou um vira-casaca contumaz. Mudou por uma razão simples e pragmática: sua moderação como governador, no período 2003/07, deveu-se ao fato de que a convicção predominante então era a de que eleições se ganham ao centro.

Agora que os extremistas do "Tea Party" tomaram conta do partido, Romney de novo pragmaticamente, vai para o canto em que eles se entrincheiraram, do que dá prova a escolha para companheiro de chapa de Paul Ryan, queridinho dos fanáticos.

Romney mudou também de pele: do político que era em 2002, ano em que se elegeu, passou a executivo (de sucesso, segundo ele), que pretende governar os EUA como se fosse uma empresa.

Eis mais uma razão para temê-lo: a finalidade de uma empresa é dar lucro, por mais que, ultimamente, haja muita conversa (em geral fiada) sobre responsabilidade social.

A finalidade de um Estado é oferecer os melhores serviços a seu público, em todos os âmbitos, mesmo que dê prejuízo eventualmente (não pode é ficar sempre no vermelho).

Outras razões para temer Romney estão em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/58821-por-que-tenho-medo-de-romney.shtml.

crossi@uol.com.br

clóvis rossi

Clóvis Rossi é repórter especial e membro do Conselho Editorial da Folha, ganhador dos prêmios Maria Moors Cabot (EUA) e da Fundación por un Nuevo Periodismo Iberoamericano. É autor de obras como 'Enviado Especial: 25 Anos ao Redor do Mundo' e 'O Que é Jornalismo'. Escreve às terças, quintas, sextas e domingos.

 

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