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gilberto dimenstein
Meninas que são escravas sexuais
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No começo da década de 90, eu percorri o Brasil, especialmente a Amazônia, documentando a exploração sexual de meninas, transformadas, na prática, em escravas. Esse levantamento resultou numa série de reportagens para a Folha e no livro "Meninas da Noite". Houve uma imensa repercussão tanto fora como dentro do país.
O processo contra empresas de turismo americanas acusadas de turismo sexual na Amazônia, explorando meninas, apenas mostra que, apesar dos avanços, pouco mudou, especialmente em algumas regiões no Norte e no Nordeste.
E pouco mudou porque há um conluio entre empresas de turismo, hotéis, polícia e até as famílias, que, em alguns casos, alugam suas filhas. Ou até vendem, como eu pude documentar e, depois, filmaram.
Grupos de defesa do direito da mulher americanos que estão acompanhando esse caso dizem que o Brasil está atraindo tanta ou mais atenção para o turismo sexual de meninas do que a Tailândia.
Antes, porém, que se imagine que é um problema trazido por turistas estrangeiros, é bom não esquecer que o principal cliente desse comércio trágico é o próprio brasileiro.
Gilberto Dimenstein ganhou os principais prêmios destinados a jornalistas e escritores. Integra uma incubadora de projetos de Harvard (Advanced Leadership Initiative). Em colaboração com o Media Lab, do MIT, desenvolve em São Paulo um laboratório de comunicação comunitária. É morador da Vila Madalena.
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